A longa marcha da classe média
O primeiro artigo da Constituição chinesa, em vigor há 44 anos, é taxativo: “A República Popular da China é um Estado socialista sob a ditadura democrática do povo, liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa.” A frase confirma os pergaminhos revolucionários do regime, mas, socialmente, o país mudou muito e, entretanto, emergiu uma nova classe.
“A classe média chinesa emergiu como a força condutora da política de desenvolvimento da China e está a tornar-se o maior grupo de consumidores que o mundo já viu”, escreveu em 2016 Li Cheng, autor de mais de uma dezena de estudos sobre a política interna chinesa. “O crescimento da classe média trouxe com ele crescente influência política e a liderança do Partido Comunista Chinês acabou gradualmente por reconhecer que para manter o poder devia respeitar a classe média.”
Aquele académico vivia então nos EUA, onde se formou em Ciências Políticas. Durante 13 anos trabalhou num influente think tank, o Brooklins Institution, onde dirigiu o respetivo Centro de Estudos sobre a China. Como centenas de outros académicos chineses radicados nos EUA fizeram nos últimos........
