Sabemos o que aí vem. Como sempre |
Não sou cientista. Nunca fui. E, por isso, quando falo de El Niño não falo com a autoridade de quem modela o clima, falo com a inquietação de quem leu os alertas, de quem esteve no terreno a tentar ajudar depois da Kristin, de quem acredita que Portugal tem um problema muito mais antigo do que qualquer fenómeno meteorológico.
Um problema de memória curta. E de inação crónica.
Nas últimas semanas, os principais centros climáticos do mundo estão a dizer a mesma coisa. Um El Niño forte está a formar-se no Pacífico. A NOAA, a agência norte-americana, estima 62% de probabilidade de se instalar ainda este verão. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas coloca as hipóteses de um episódio forte em 80 por cento. E a palavra que está a aparecer com mais frequência nos modelos climáticos é esta: Super El Niño. Aquele em que a anomalia de temperatura do Pacífico equatorial ultrapassa dois graus acima da média. O último foi em 2023-2024. Antes, em 2015-2016. Em 1997-1998. Todos bateram recordes de temperatura global. Todos trouxeram catástrofes. Todos foram anunciados meses antes.
E em todos eles ficámos surpreendidos quando chegaram.
Eu não me consigo surpreender. Porque vi a Kristin chegar. Vi o aviso. Vi os dias de alerta vermelho........