Novas concessões de aeroportos reafirmam modelo e mudam setor em 15 anos
Novas concessões de aeroportos reafirmam modelo e mudam setor em 15 anos
O programa de concessões de aeroportos federais no Brasil começou de forma experimental e, ao longo de pouco mais de uma década, tornou-se um dos maiores processos de reestruturação da infraestrutura aeroportuária do país.
Nascido em 2011, o programa teve início com um modelo inovador: a concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que atende à região de Natal (RN). Com o passar dos anos, o modelo foi evoluindo, culminando no leilão para uma nova concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, após anos de insatisfação do operador que estava à frente do local.
De modelos individuais para blocos de aeroportos, a estratégia foi sendo adaptada para garantir interessados nas concessões.
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Relembre a seguir os principais leilões e quais ainda faltam.
O começo: um de cada vez
Na primeira fase, o governo federal testou o formato com um único ativo por leilão. Foi o caso de São Gonçalo do Amarante, que foi construído do zero e passou a receber os voos comerciais que operavam no aeroporto Augusto Severo, hoje Base Aérea de Natal.
A experiência inicial abriu caminho para a segunda rodada, em 2012, quando três dos principais aeroportos do país foram oferecidos no mercado: Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas/SP) e Brasília (DF). O movimento marcou a entrada definitiva da iniciativa privada na gestão de grandes hubs nacionais e consolidou a participação de operadores com perfil mais robusto e experiência internacional.
A terceira rodada, em 2013, ampliou o alcance do programa ao incluir Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, na região de Belo Horizonte (MG). Em 2017, a quarta rodada levou a concessão para outros polos relevantes: Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.
Nesse momento, impulsionado pelo forte interesse inicial do mercado, o Brasil já atraía grupos globais especializados em gestão aeroportuária, o que ajudou a elevar a concorrência e o valor dos lances.
Nova fase: blocos de aeroportos
Em 2019, com a quinta rodada, passou-se a adotar uma nova estratégia para os leilões. O governo abandonou a lógica de concessões isoladas e passou a organizar os aeroportos em blocos, combinando terminais mais rentáveis com outros de menor apelo comercial.
A fórmula buscava ampliar a atratividade dos leilões e garantir investimentos em toda a rede. Afinal, aqueles aeroportos de maior movimentação atraem, naturalmente, mais interessados do que outros com menos movimento, embora sejam também relevantes.
A estratégia foi mantida nas rodadas seguintes, em 2021 e 2022, quando mais aeroportos foram licitados em pacotes regionais e nacionais, reforçando a presença de grandes operadores internacionais.
O resultado foi uma rede cada vez mais ampla de aeroportos sob administração privada. Nesse processo, a Infraero perdeu protagonismo na gestão dos principais aeroportos, restando apenas o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, entre os mais rentáveis sob sua administração.
Refazendo o que não deu certo
Os modelos iniciais não se mostraram tão vantajosos assim para os operadores, que dependeriam de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato para manter a operação. Com isso, uma alternativa foi relicitar os terminais há mais tempo na mão de empresas privadas, como foi o caso de São Gonçalo do Amarante.
De fato, os ativos eram muito grandes para serem levados a leilão em um momento em que ainda não havia uma maturidade regulatória e previsibilidade econômica, situação que piorou com a pandemia de covid-19.
Operado pela Inframérica, São Gonçalo do Amarante foi o primeiro a entrar em relicitação após a concessionária pedir a devolução amigável da concessão. A empresa admitiu a incapacidade de cumprir as obrigações contratuais e financeiras previstas nos termos assinados.
Em 2023, a Zurich Airport conquistou o direito de administrar o aeroporto por 30 anos.
Brasília e Viracopos também entraram no radar das discussões devido à rigidez dos contratos dos aeroportos licitados nas primeiras rodadas. Em recuperação judicial desde 2018, Viracopos está em uma situação delicada, já que foi decidido que o local não será relicitado e, por ora, aguarda um desfecho para a sua situação.
Já o leilão para uma nova operadora assumir o aeroporto de Brasília deve ocorrer ainda em 2026, e incluirá no pacote outros oito aeroportos regionais do Centro-Oeste, um do Paraná e um da Bahia.
O aeroporto do Galeão também deixou de ser atrativo para a sua atual concessionária devido à forte queda na demanda e à política de distribuição nos voos na cidade, que favoreceu o Santos Dumont. O terminal passou por um novo leilão nos últimos dias após um pedido amigável de devolução da concessão.
A empresa vencedora foi a espanhola Aena, que já administra o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, entre outros no país.
Nesse caso, foi adotada uma modalidade que evitou uma ruptura operacional, transferindo o aeroporto integralmente para sua nova administradora e retirando a participação restante da Infraero no negócio.
O aeroporto carioca teve problemas sérios devido à forte queda na movimentação durante a pandemia. Como alternativa, os voos no Santos Dumont foram restringidos para direcionar parte do tráfego para o aeroporto internacional.
Os aeroportos regionais pertencentes ao estado de São Paulo também passaram por um leilão e, hoje, são administrados pelas concessionárias Rede Voa e Aeroportos Paulistas:
Aeroportos Paulistas (Bloco Noroeste)
Aeroporto de São José do Rio Preto
Aeroporto de Presidente Prudente
Aeroporto de Araçatuba
Aeroporto de Barretos
Aeroporto de Andradina
Aeroporto de Votuporanga
Aeroporto de Penápolis
Aeroporto de Presidente Epitácio
Rede Voa (Bloco Sudeste e outros terminais)
Aeroporto Bartholomeu de Gusmão (Araraquara)
Aeroporto Comandante Luiz Gonzaga Lutti (Avaré)
Aeroporto Moussa Nakhl Tobias (Bauru)
Aeroporto Arthur Siqueira (Bragança Paulista)
Aeroporto Campos dos Amarais -- Prefeito Francisco Amaral (Campinas)
Aeroporto Tenente Lund Presotto (Franca)
Aeroporto Edu Chaves (Guaratinguetá)
Aeroporto Antônio Ribeiro Nogueira Jr (Itanhaém)
Aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro (Jundiaí)
Aeroporto Frank Miloye Milenkovich (Marília)
Aeroporto Alberto Bertelli (Registro)
Aeroporto Doutor Leite Lopes (Ribeirão Preto)
Aeroporto Mário Pereira Lopes (São Carlos)
Aeroporto Nelson Garófalo (São Manuel)
Aeroporto Bertram Luiz Leupolz (Sorocaba)
Aeroporto Gastão Madeira (Ubatuba)
Veja a seguir a lista de aeroportos por concessionária:
Aeroporto de Recife (PE): Desde 2020
Aeroporto de Maceió (AL): Desde 2020
Aeroporto de Aracaju (SE): Desde 2020
Aeroporto de João Pessoa (PB): Desde 2020
Aeroporto de Juazeiro do Norte (CE): Desde 2020
Aeroporto de Campina Grande (PB): Desde 2020
Aeroporto de Congonhas (SP): Desde 2023
Aeroporto de Campo Grande (MS): Desde 2023
Aeroporto de Corumbá (MS): Desde 2023
Aeroporto de Ponta Porã (MS): Desde 2023
Aeroporto de Santarém (PA): Desde 2023
Aeroporto de Marabá (PA): Desde 2023
Aeroporto de Carajás (PA): Desde 2023
Aeroporto de Altamira (PA): Desde 2023
Aeroporto de Uberlândia (MG): Desde 2023
Aeroporto de Montes Claros (MG): Desde 2023
Aeroporto de Uberaba (MG): Desde 2023
Aeroporto Internacional do Galeão (RJ): Desde 2026
Motiva (ex-CCR Aeroportos)
Aeroporto Internacional de Confins (MG): Desde 2014
Aeroporto da Pampulha (MG): Desde 2022
Aeroporto de Curitiba (PR): Desde 2022
Aeroporto de Bacacheri (PR): Desde 2022
Aeroporto de Londrina (PR): Desde 2022
Aeroporto de Foz do Iguaçu (PR): Desde 2022
Aeroporto de Navegantes (SC): Desde 2022
Aeroporto de Joinville (SC): Desde 2022
Aeroporto de Pelotas (RS): Desde 2022
Aeroporto de Uruguaiana (RS): Desde 2022
Aeroporto de Bagé (RS): Desde 2022
Aeroporto de Goiânia (GO): Desde 2022
Aeroporto de São Luís (MA): Desde 2022
Aeroporto de Imperatriz (MA): Desde 2022
Aeroporto de Palmas (TO): Desde 2022
Aeroporto de Teresina (PI): Desde 2022
Aeroporto de Petrolina (PE): Desde 2022
Aeroporto de Salvador (BA): Desde 2017
Aeroporto de Manaus (AM): Desde 2022
Aeroporto de Porto Velho (RO): Desde 2022
Aeroporto de Rio Branco (AC): Desde 2022
Aeroporto de Cruzeiro do Sul (AC): Desde 2022
Aeroporto de Tabatinga (AM): Desde 2022
Aeroporto de Tefé (AM): Desde 2022
Aeroporto de Boa Vista (RR): Desde 2022
Aeroporto de Fortaleza (CE): Desde 2017
Aeroporto de Porto Alegre (RS): Desde 2017
Aeroporto de Jericoacoara (CE): Desde 2026
Aeroporto de Florianópolis (SC): Desde 2017
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN): Desde 2023 (antes, Inframérica, desde 2012)
Aeroporto de Brasília (DF): Desde 2012
Aeroporto de Guarulhos (SP): Desde 2012
Aeroporto de Paulo Afonso (BA): Desde 2026
Aeroporto de Lençóis (BA): Desde 2026
Aeroporto de Vilhena (RO): Desde 2026
Aeroporto de Barreirinhas (MA): Desde 2026
Aeroporto de Araguaína (TO): Desde 2026
Aeroporto de São Raimundo Nonato (PI): Desde 2026
Aeroporto de Cacoal (RO): Desde 2026
Aeroporto de Canoa Quebrada (CE): Desde 2026
Aeroporto de Serra Talhada (PE): Desde 2026
Aeroporto de Porto Alegre do Norte (MT): Desde 2026
Aeroporto de Garanhuns (PE): Desde 2026
Aeroporto de Araripina (PE): Desde 2026
Campo de Marte (SP): Desde 2023
Aeroporto de Jacarepaguá (RJ): Desde 2023
Aeroportos Brasil Viracopos
Aeroporto de Viracopos (SP): Desde 2012
Novo Norte Aeroportos (Dix Aeroportos)
Aeroporto de Belém (PA) -- Val de Cans: Desde 2023
Aeroporto de Macapá (AP): Desde 2023
Centro-Oeste Airports
Aeroporto de Cuiabá (MT): Desde 2019
Aeroporto de Sinop (MT): Desde 2019
Aeroporto de Rondonópolis (MT): Desde 2019
Aeroporto de Alta Floresta (MT): Desde 2019
Hoje, ainda estão sob a responsabilidade da Infraero os seguintes aeroportos:
Governador Valadares (MG)
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