Ninguém pode dizer que foi pego de surpresa.

Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 fazendo mímica de "arminha", prometendo "fuzilar a petralhada" e tecendo loas públicas a um torturador reconhecido e catalogado.

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Eleito, manteve-se fiel às suas convicções: quadruplicou o arsenal de armas nas mãos de caçadores, atiradores e colecionadores e passou seu mandato chamando magistrados, jornalistas e opositores de canalhas, quadrúpedes e imbecis — representantes do Mal que deveriam ser extintos por meio do fechamento de instituições, cassações de concessões ou suspensão das eleições.

Agora, ao fim de quatro anos de tentativas de trazer o país para o estágio de pré-organização social, o ex-capitão parece ter conseguido parte do seu intento.

A Folha relata que pesquisadores do instituto Datafolha têm sido hostilizados, xingados e empurrados nas ruas. Num único dia, terça-feira passada, o instituto contabilizou dez ataques de eleitores a pesquisadores perpetrados em diferentes estados do Brasil.

Anteontem, a jornalista Vera Magalhães foi emboscada no seu local de trabalho por um bolsonarista movido na mesma medida por oportunismo e sintomas de hidrofobia. No último dia 7, em Mato Grosso, Benedito dos Santos, eleitor de Lula, foi morto a machadadas por Rafael de Oliveira, apoiador de Bolsonaro. Um mês antes, no Paraná, Marcelo Arruda, militante petista, havia sido assassinado em sua festa de aniversário por Jorge Garanho, bolsonarista furioso.

Nos eventos de campanha, episódios de incivilidade explícita se acumulam. Um dos mais recentes ocorreu na semana passada durante a visita de Lula a São Gonçalo (RJ), cidade cujo prefeito é aliado de Bolsonaro. O local onde o petista se apresentaria amanheceu bloqueado por pilhas de areia que seguranças do PT tiveram de remover durante a madrugada com carrinhos de mão, a fim de liberar a entrada dos militantes.

Entre as vantagens da democracia está a de que ela oferece meios — as eleições— para que as disputas políticas se resolvam sem que se recorra à força. Com Bolsonaro, o Brasil regride em direção ao estado de natureza hobbesiano.

O ex-capitão semeia armas, o Brasil colhe tacapes.

QOSHE - Bolsonaro traz o Brasil de volta à era do tacape - Thaís Oyama
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Bolsonaro traz o Brasil de volta à era do tacape

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15.09.2022

Ninguém pode dizer que foi pego de surpresa.

Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 fazendo mímica de "arminha", prometendo "fuzilar a petralhada" e tecendo loas públicas a um torturador reconhecido e catalogado.

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Eleito, manteve-se fiel às suas convicções: quadruplicou o arsenal de armas nas mãos de caçadores, atiradores e colecionadores e passou seu mandato........

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