Joaquim e o título mais improvável (e fascinante) de um brasileiro em 2026 |
Joaquim e o título mais improvável (e fascinante) de um brasileiro em 2026
Joaquim de Almeida nem aparece no ranking de simples da ATP. A última vitória do sul-mato-grossense de 24 anos no circuito havia sido mais de um ano atrás. O tênis profissional não era uma realidade em seu dia-a-dia. Sem conseguir financiar uma carreira full-time, o brasileiro trabalha em tempo integral em um country club de Orlando, na Flórida, e treina quando consegue tempo. E foi nestas condições que Joaquim conquistou o título do M15 de Vero Beach, um torneio com premiação de US$ 15 mil na Flórida, na última semana.
O título, por si só já um tanto surpreendente, não é o único aspecto glorioso da história. Entrar na chave já parecia improvável para Joaquim. Em um momento, ele foi o 28º alternate, ou seja, precisava de 28 desistências para obter um lugar no qualifying. Aconteceu. Depois disso, Joaquim precisava vencer dois jogos no torneio classificatório para chegar à chave principal. Também aconteceu. E foi assim, numa sequência de eventos improváveis, salvando oito match points ao longo do evento (em três partidas diferentes), derrotando um ex-top 40 e protagonizando uma linda virada na final após ouvir uma mensagem de uma estranha que tocou seu coração, que o brasileiro terminou a semana com o troféu nas mãos.
Uma história que fica ainda mais bonita contada pelo próprio Joaquim, que começou no esporte em Belém, deixou a família para trás aos 13 para treinar em Curitiba e, depois, no Rio de Janeiro, viu sua carreira e sua vida saírem dos trilhos. Teve problemas com drogas e tentou tirar a própria vida. Buscou, então, um recomeço no tênis universitário americano, onde formou-se em administração de negócios e esporte. E agora, depois de uma conquista que parecia tão improvável, quer ver aonde consegue chegar no tênis profissional.
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Joaquim contou essa história inteira quando conversamos nesta terça-feira. Leia abaixo os melhores momentos desse papo:
Fala um pouquinho do seu começo no tênis até chegar ao tênis universitário...
Meu irmão sempre gostou de tênis, e eu fui na carona. A gente começou a fazer aula com o Mauro Klautau, um dos grandes treinadores de Belém, e eu comecei a gostar do negócio. Com 13 anos, eu saí de casa. Fui para o Curitibano. Integral, sozinho, morando com gente que eu nem conhecia direito. A minha vida lá era uma loucura. Com 13 anos, pegava una van escolar de manhã para ir para a escola. Quando saída da escola, eu saía correndo porque tinha um restaurantezinho que fazia a minha marmita todo dia. Eu trazia minha marmita de volta pra escola porque a van ia me buscar lá. A van me deixava em casa, e eu comia muito rápido a marmita. Eu saía, andava quase um quilômetro pra pegar um ônibus. Era 14h15min, e eu tinha que pegar esse ônibus senão era mais meia hora até o ônibus seguinte. Aí chegava numa estação e eu pegava outro ônibus pra me deixar em frente ao Habib's, perto do Curitibano. Aí eu andava mais uma seis quadras e chegava no Curitibano por volta de 15h e pouco. Chegava, treinava e fazia o mesmo percurso de volta às 7h da noite. Isso aí, cara, com 13 anos. Eu fiz isso por um ano.
E você morava com quem lá?
Com um amigo do meu pai. A gente é cristão, né? Meu pai emprestou uma casa para uma família de pastores no Mato Grosso do Sul, onde eles moravam sem pagar. Um dos filhos, depois de muito tempo, foi morar em Curitiba, e eu fui morar com esse filho. Meu pai deixou a casa para eles uns 10 anos, sem nenhum pagamento. Era algo mesmo de coração. E eu fiquei na casa desse filho. Mas eu não conhecia direito, e eles tinham uma rotina um pouco mais diferente. E........