Irã vive um massacre, mas intervenção dos EUA só irá bombar a tragédia

O Irã chegou a uma encruzilhada. O levante iniciado no fim de 2025, impulsionado pela escassez de alimentos, pela inflação fora de controle, pela insatisfação de comerciantes e pelo colapso do rial, deixou de ser apenas um protesto econômico. Transformou-se em rejeição política aberta ao regime teocrático e ao seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Juntaram-se às ruas mulheres cansadas de apanhar do Estado, jovens sem futuro e setores urbanos que já não acreditam em reformas cosméticas.

A resposta foi a de sempre: bala, prisão e silêncio forçado. Milhares de mortos, dezenas de milhares de presos e bloqueios quase totais da internet para impedir que o país converse consigo mesmo — e com o mundo. Ainda assim, o levante impressiona pela capilaridade. Universidades, classes médias, bazares. Quando até quem sempre pagou a conta começa a questionar o sistema, algo começa a feder.

Mas enquanto os membros do regime e seus sócios das elites seguirem fechados em torno de seus privilégios, qualquer transição democrática ficará no desejo. E quando Donald Trump resolve incitar os manifestantes a tomar as instituições com promessas de que "a ajuda está a caminho", não está ajudando ninguém, mas oferecendo o argumento perfeito para o endurecimento da repressão e, de quebra, colocando mais gente na mira do........

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