menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

IA não cria nem destrói empregos; a gestão social é que decide o futuro

6 5
latest

Historiador, deputado na Assembleia da República de Portugal e ex-deputado no Parlamento Europeu; autor de 'Agora, Agora e Mais Agora'

Link externo, abre página da Rui Tavares no Twitter

Recurso exclusivo para assinantes

IA não cria nem destrói empregos; a gestão social é que decide o futuro

Tecnologia pode fortalecer democracia ou autoritarismo, dependendo de quem controla narrativa

Conflitos humanos continuarão a ser resolvidos por humanos, não por algoritmos

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Passei a última semana lendo ensaios e ouvindo podcasts sobre inteligência artificial e cheguei às seguintes conclusões: a IA vai mudar tudo, a IA é uma fraude; a revolução da IA é exponencial e infinita, a IA já atingiu o seu planalto; a IA vai ser catastrófica para o emprego, a IA vai gerar produtividade e prosperidade infinitas.

Nas últimas 24 horas, porém, emergiu uma nova preocupação, particularmente entre intelectuais nas redes sociais: a de que a esquerda já perdeu porque não tem narrativa sobre a IA. Ao mesmo tempo é como se a direita estivesse isenta da mesma obrigação, ou como se a IA já fosse de direita mesmo.

Pobre esquerda! Correndo sempre atrás do prejuízo. Ainda mal começou o jogo da IA e a derrota da esquerda já está proclamada.

O ponto em que essa visão das coisas falha é que, enquanto tal, a esquerda (tal como a direita, aliás) não tem que ter uma posição de esquerda sobre ferramentas —o serrote, a colher de pau, o satélite ou o robô— mas sobre a organização social na qual essas ferramentas se inserem. Essa visão é que é propriamente a ideologia, que ao mesmo tempo precede e prolonga a IA.

A inteligência artificial por si só não cria nem destrói empregos; ela só o faz dependendo da forma de gestão e distribuição que entendermos para os empregos que for necessário haver.

De forma análoga, a IA pode permitir-nos mandar mais emails, fechar mais processos ou organizar mais planilhas; mas não é a inteligência artificial que vai resolver o conflito que se coloca perante uma prefeitura, um estado ou o governo federal e que pode facilmente ir parar aos tribunais. Esse é um conflito humano, que cria e é criado pela nossa entropia humana, e que os humanos resolverão —ou não.

Por isso o interesse da inteligência artificial não está nela, por si e em si. Está na interseção entre a IA e outras grandes tendências que se encontram agora em tensão, da qual escolho duas como essenciais: a guinada para o autoritarismo e a revolução nas tecnologias de saúde e prolongamento da vida.

Em tempos, a solução mais evidente para o fim de um regime tirânico era esperar que o tirano morresse.

Mas se há alguém que gostaria de não morrer é o tirano, como ilustrado por esta conversa que tiveram Putin e Xi Jinping em 3 de setembro do ano passado e na qual Putin disse que "com o desenvolvimento da biotecnologia, os órgãos humanos podem ser continuamente transplantados, e as pessoas podem viver cada vez mais jovens, e até mesmo alcançar a imortalidade", e Xi respondeu que "as previsões são de que neste século será possível viver até aos 150 anos".

Ícone Facebook Facebook

Ícone Whatsapp Whatsapp

Ícone de messenger Messenger

Ícone Linkedin Linkedin

Ícone de envelope E-mail

Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Ninguém me convence que, em primeiro lugar, eles não estivessem pensando neles mesmos —e que Trump não tenha o mesmo tipo de desejo.

Ora, é fácil imaginar onde terminaria a confluência entre um autoritarismo tecnológico, assistido por vigilância e planejamento em IA, e uma esperança de vida drasticamente aumentada para quem tivesse o poder ou dinheiro de ter acesso a ela: num totalitarismo tecnológico prolongado.

Da mesma forma, a inteligência artificial pode ajudar na formulação de deliberações democráticas que nos permitam ter uma democracia de mais alta intensidade e escolha com menos dificuldade para os cidadãos. Tudo depende de que líderes sejam mais persuasivos e de quais narrativas.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Leia tudo sobre o tema e siga:

inteligência artificial

sua assinatura pode valer ainda mais

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

sua assinatura vale muito

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Leia outros artigos desta coluna

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/rui-tavares/2026/02/ia-nao-cria-nem-destroi-empregos-a-gestao-social-e-que-decide-o-futuro.shtml

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

notícias da folha no seu email

notícias da folha no seu email

Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.

Precisamos de um contrato entre humanidade, natureza e tecnologia

Precisamos de um contrato entre humanidade, natureza e tecnologia

O problema da inteligência artificial será a estupidez natural

O problema da inteligência artificial será a estupidez natural

Flash lança plataforma para centralizar gestão de benefícios corporativos pelas empresas

Flash lança plataforma para centralizar gestão de benefícios corporativos pelas empresas


© UOL