Trailer do novo 'Homem-Aranha' resgata euforia por filmes de super-heróis
Trailer do novo 'Homem-Aranha' resgata euforia por filmes de super-heróis
"Ninguém mais aguenta filmes de super-heróis." A frase reverbera como mantra na indústria cinematográfica desde ano passado. Após mais de uma década como parte da espinha dorsal da cultura pop, adaptações de personagens dos gibis pareciam ter saturado, com "Superman" como único representante da classe entre as dez maiores bilheterias globais em 2025. O público parecia de fato saturado de universos compartilhados recheados com hominhos fantasiados.
Só esqueceram de avisar que super-heróis estariam em baixa a um certo "amigão da vizinhança".
"Homem-Aranha: Um Novo Dia", que estreia em 30 de julho, teve seu primeiro trailer divulgado essa semana - e foi um arraso. Em 24 horas, a prévia da aventura mais uma vez encabeçada por Tom Holland somou 718.6 milhões de views, o maior lançamento de um trailer da história. O número deixou na poeira o recorde anterior, de "Deadpool & Wolverine", com 365 milhões de views. Até o Santo Graal da cultura pop moderna, o aguardadíssimo game "GTA 6", somou 475 milhões de cliques no primeiro dia de seu preview.
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A turma, afinal, ainda tem sede por filmes de super-heróis? Ou será que o barulho existiu por ser um novo filme do Homem-Aranha? Arrisco que é um pouco de cada. Todo esse papo de "saturação" é a forma que a indústria lida com os ciclos que movem suas engrenagens. Historicamente, contudo, o público não se furta em responder a um bom produto. Adaptações de HQs há muito deixaram de ser fenômenos isolados ("Batman" em 1989, "X-Men" em 2000) para entrar no diálogo cultural. Marvel e DC lideram as tropas, deixando espaço também para heróis de gibis independentes como "As Tartarugas Ninja", "Hellboy" e "O Procurado".
O Homem-Aranha, por outro lado, sempre foi um caso à parte. Assim como o Batman na concorrência, a criação de Stan Lee e Steve Ditko consegue furar a bolha e puxar o público que pode não dar a mínima para vigilantes fantasiados, mas que nutre conexão emocional sólida com o Cabeça de Teia. Foi assim com "Homem-Aranha" em 2002, Tobey Maguire à frente, o primeiro da trilogia que definiu o cinema pop do começo do século. O sucesso se repetiu (em menor escala) uma década depois com os dois "O Espetacular Homem-Aranha", com Andrew Garfield.
Essa nova encarnação do herói aracnídeo chegou aos cinemas com uma bagagem diferente. Quando Tom Holland foi escolhido para ser o novo Peter Parker, sua estreia se deu num filme "de terceiros". "Capitão América: Guerra Civil" mostrou Peter sendo recrutado por Tony Stark (Robert Downey Jr.) em uma ação entre amigos, colocando-o pela primeira vez no cinema como parte do universo compartilhado da Marvel.
Suas aventuras-solo - primeiro "De Volta ao Lar", depois "Longe de Casa", orbitaram dois arrasa-quarteirões dos Vingadores e fizeram do Aranha um herói mais cósmico e menos da vizinhança. O ambicioso "Sem Volta Para Casa" trouxe duas gerações de "homens-aranha", com Holland dividindo a tela com Maguire e Garfield em uma fantasia épica. O resultado (financeiro) foram quase US$ 2 bilhões, maior bilheteria de um filme encabeçado pelo herói.
"Homem-Aranha: Um Novo Dia", dirigido por Destin Daniel Cretton ("Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis") é, ao mesmo tempo, uma continuação da história dessa encarnação do Aranha, um novo ponto de partida em sua trajetória e também uma certa volta às raízes, com a ação longe de aliens ou multiversos, mas ambientada nas ruas estilizadas de Nova York. As filmagens transcorreram em Glasgow, na Escócia (que "dublou" NYC) e a trama segue guardada a sete chaves. Algumas pistas sugerem um caminho, mas nada como o elemento surpresa.
De concreto, a ação ocorre quatro anos depois dos eventos de "Sem Volta Para Casa", com o planeta tendo esquecido da existência de Peter Parker após um feitiço conjurado pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para selar uma fenda dimensional. Enquanto o Homem-Aranha segue como defensor festejado da Grande Maçã, Peter busca se aproximar dos amigos que sequer lembram de sua existência, em especial MJ (Zendaya), seu grande amor.
Enquanto combate uma pá de vilões (só no trailer pescamos o Bumerangue, o Tarântula, o Escorpião e os ninjas do Tentáculo, muitas cenas reprisando arte dos gibis), Peter parece sofrer novas alterações em seu DNA, um efeito tardio da picada de aranha que lhe concedeu seus poderes, e pode experimentar uma nova mutação - essa trama espelha a saga "O Outro" que, nos gibis, viu o Aranha se fechar em um casulo de teia e emergir com novos poderes. No meio do caminho, ele cruza com o Justiceiro (Joe Bernthal), com Bruce Banner (Mark Ruffalo) e também com a personagem misteriosa interpretada por Sadie Sink.
"Um Novo Dia" é o plano de negócios perfeito. Traz elementos familiares o suficiente para ouriçar a base de fãs sedenta por um filme da Marvel que rompa a barreira do "razoável", mas sugere novidades o bastante para atrair aqueles que porventura deram de ombros para o "cinema de super-heróis". Se números são um bom indicativo - e a matemática garante que sim - o interesse por um novo "Homem-Aranha" está nas alturas.
Como bônus, o novo filme também sinaliza a reta final de Tom Holland como o herói. Aos 29 anos (ele completa 30 em junho), ele crava uma década vestindo o traje do Homem-Aranha e entende que talvez seja a hora de passar o bastão. Depois de "Um Novo Dia", o ator deve reprisar o personagem em "Vingadores: Guerras Secretas" em 2027, que deve reiniciar o Universo Marvel no cinema. Fãs (sempre eles) já especulam mil teorias sobre o futuro do herói e do MCU. É do jogo, e quando o assunto é o Homem-Aranha o mundo presta atenção. Mesmo que "ninguém mais aguente filmes de super-heróis".
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