Chuck Norris, astro forjado por artes marciais, filmes de ação e... memes!
Chuck Norris, astro forjado por artes marciais, filmes de ação e... memes!
Chuck Norris contou uma piada do Chuck Norris. Foi em "Os Mercenários 2", em que ele surge numa ponta como soldado casca-grossa que salva a pele de outros astros casca-grossa. Stallone, Statham e cia. lhe fazem reverência antes de Norris soltar uma pérola direto dos memes de Chuck Norris. Bem humorado e autorreferente, o filme de 2012 também marcou seu último papel no cinema. O astro - do cinema, da TV e das artes marciais - morreu subitamente, no Havaí. Ele tinha 86 anos.
Quando uma nova geração o redescobriu com a febre global dos memes de Chuck Norris, por volta de 2005 ("Oxigênio requer Chuck Norris para viver", e por aí vai), ele já havia se estabelecido como uma força na cultura pop como herói de ação. Sua credibilidade era inquestionável. De artista marcial com uma coleção de troféus a astro de cinema, Norris foi apresentado como adversário de Bruce Lee em "O Voo do Dragão", de 1972, passando a protagonista cinco anos depois em "O Comboio da Carga Pesada".
Ciente de suas limitações dramáticas, Norris criou um tipo irresistível para o gênero: o sujeito estoico, de semblante severo, que jamais entrecortava a urgência de sua missão com alguma sugestão de senso de humor. Era a antítese de Jackie Chan e, depois, de Bruce Willis, fazendo dele a própria imagem do herói invencível. "Os Bons Se Vestem de Negro", de 1978, solidificou essa persona no trabalho que o próprio Norris considerava o verdadeiro ponto de partida de sua carreira.
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Na década seguinte, Norris emendou uma série de fitas de qualidade duvidosa, mas que faziam a alegria da molecada sedenta por uma válvula de escape despretensiosa. A fórmula era manjada: Norris invariavelmente era o herói solitário que encara um pequeno exército de malfeitores para imprimir sua própria visão de justiça. Filmes como "Força Destruidora", "Octagon: Escola Para Assassinos", "O Ajuste de Contas" e "Fúria Silenciosa" faziam os críticos torcer o nariz, mas seu fator diversão trash é inegável.
"McQuade, o Lobo Solitário", produção de 1983 em que ele divide a cena com David Carradine, tornou-se um sucesso moderado, abrindo as possibilidades para Noris ampliar seu público. Foi o que aconteceu no ano seguinte quando ele rodou "Braddock: O Super Comando", para a infame produtora Cannon. A fantasia jingoista sobre o veterano que retorna ao Vietnã para resgatar prisioneiros de guerra precede "Rambo II - A Missão" em alguns meses e, apesar de criativamente desastrosa, deu a Norris uma série (e uma casa) para chamar de sua.
Na Cannon, Norris teve liberdade para exercitar sua versão do "herói americano": o exército de um homem só que invariavelmente salva o dia. No estúdio tocado pelos primos Yoram Globus e Menahem Golan, o astro emplacou, ao longo de uma década, mais dois "Braddock", dois "Comando Delta", o sofrível "Invasão U.S.A.", "Os Aventureiros do Fogo", "O Herói e o Terror", "Hitman" e o derradeiro "Perigo Mortal", já com o estúdio fechando as portas. Neste período, seu grande filme foi lançado pela concorrente Orion Pictures em 1985: "Código do Silêncio", assinado pelo mesmo Andrew Davis de "A Força em Alerta" e "O Fugitivo".
Embora nunca tenha atingido a popularidade de mega astros como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, Norris construiu um nicho sólido em que seus fãs ardorosos buscavam seus trabalhos não somente como diversão escapista, mas também como exemplo de hombridade e retidão. Era a filosofia que Norris também imprimia em sua vida pessoal, registrada ao longo de uma dezena de livros que ele escreveu. Com boa visão para os negócios, o ator percebeu seu declínio nas bilheterias com a queda da Cannon e migrou para a TV. Foi um renascimento.
Inspirada no personagem de Norris em "McQuase, o Lobo Solitário", a série "Walker: Texas Ranger" - batizada aqui "Chuck Norris: O Homem da Lei" - estreou em 1993 na emissora CBS e se estendeu por nove temporadas e mais de duzentos episódios, reprisados em syndication por outras redes de TV. A combinação de investigação criminal, exemplo moral e artes marciais renovou o interesse por Norris e explodiu sua popularidade em todo o mundo - mais de 100 países exibiram o programa regularmente, que ganhou fãs devotados inclusive no Brasil.
Em sua vida pessoal, Chuck Norris seguiu, pessoalmente e politicamente, a cartilha do americano conservador. Cristão fervoroso, foi casado duas vezes (teve cinco filhos de dezessete netos) e posteriormente assumiu uma filha de uma relação extra marital. Ao mesmo tempo, dedicou-se avidamente a trabalhos filantrópicos e foi defensor ardoroso do ensino de artes marciais em escolas para combater a influência das drogas em crianças. Também contribuiu em ações para mitigar o abandono de veteranos nos Estados Unidos, comum após o serviço militar.
Norris sempre apontou sua disciplina profissional e pessoal à prática de artes marciais - ele era faixa preta em judô, jiu jitsu, karatê, taekwondo, tang soo do e chun kuk do, essa últimia desenvolvida por ele próprio. Nascido Carlos Ray Norris em Oklahoma, o astro passou a ensinar karatê nos anos 1960, com alunos que iam de Steve McQueen a Priscilla Presley e aos irmãos Donny e Marie Osmond. Ele conheceu Bruce Lee em uma demonstração de artes marciais em Long Beach, na California, e o resto é história. Uma história já celebrada em sua partida com um meme: "Chuck Norris não morreu, foi a Morte que finalmente criou coragem para conhecê-lo".
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