Motor temperamental, carros instáveis: pilotos veem nova F1 mais perigosa

Motor temperamental, carros instáveis: pilotos veem nova F1 mais perigosa

A reunião dos pilotos com a direção de prova, que acontece sempre na sexta-feira de GP, promete ser longa na China, palco da segunda etapa do campeonato da Fórmula 1, neste fim de semana. A julgar pela reação dos pilotos depois da estreia das novas regras da categoria, há uma longa lista de reclamações a respeito da segurança dos carros.

É bom lembrar que, caso a Federação Internacional de Automobilismo resolva ouvir qualquer um dessas reclamações, mudanças no regulamento por questões de segurança não precisam passar por votação. Porém, como já ficou claro no GP da Austrália, quando eles tiveram que voltar atrás em uma mudança feita em uma área de ativação do modo reta, uma alteração pode gerar tantos subprodutos que tudo precisa ser muito bem considerado.

Modo reta na primeira volta e instabilidade do carro

Uma das novidades deste ano é o modo reta, que muda o perfil das asas dianteira e traseira em zonas estipuladas pela FIA. As asas se reposicionam de forma semelhante ao DRS, mas são usadas por todos os pilotos, em todas as voltas.

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Para Carlos Sainz, a primeira volta do GP da Austrália foi perigosa por conta deste dispositivo. "Minha maior preocupação é a primeira volta. Foi arriscado", disse o piloto da Williams.

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Quando o piloto ativa o modo asa, o carro fica mais 'solto'. Quando ele está no trânsito, a aerodinâmica torna-se menos efetiva por conta da turbulência, então estes dois fatores unidos poderiam causar um acidente, na opinião do espanhol.

O vencedor do GP da Austrália, George Russell, foi mais adiante. Ele acha que o modo asa se fecha de um jeito muito violento, desestabilizando demais o carro.

"A única coisa que eu pediria à FIA é que, com o modo reta, a asa dianteira não desça tão agressivamente", disse Russell. "Quando ativarmos o Modo Reta, o carro sai de dainteira, e quando eu estava atrás do Charles e tentava sair do vácuo dele, era como se minha asa dianteira não estivesse funcionando. Então, acho que, do ponto de vista da segurança, isso tornaria a corrida mais segura e melhor. Não vejo nenhuma desvantagem em fazer isso."

Russell e Sainz são dois dos líderes da associação dos pilotos, a GPDA.

Decisões do motor surpreendendo os pilotos

A Fórmula 1 usa motores híbridos há mais de 10 anos, mas os motores de 2026 têm o triplo de potência vinda da parte elétrica, e perderam um dos geradores de energia. Então tudo com que os pilotos já conviviam antes na recuperação e entrega de energia foi potencializado.

Um destes fatores é a recuperação e entrega de energia que é definida pelo próprio motor. Ela não é uniforme todas as voltas, pois a unidade de potência vai recalculando o que ela precisa fazer para ser mais eficientece. E isso está pegando os pilotos desprevenidos, inclusive tendo sido fator importante em acidentes na Austrália.

"Vamos ter um grande acidente, parece que estamos esperando que algo aconteça para agir. É tudo muito artificial, dependendo do que a unidade de potência decide fazer e faz aleatoriamente às vezes. Você simplesmente é ultrapassado por cinco carros e não pode fazer nada a respeito", disse Lando Norris. "Dá para ter diferenças de velocidade de 30, 40, 50km/h."

É claro que o piloto tem nas suas mãos ferramentas para controlar a energia, como o botão de boost, e também pode dosar o acelerador, mas ele não pode fazer nada quando o sistema decide que é hora de recuperar ou de entregar potência.

Largadas ainda são problema

Não houve um acidente muito forte no início do GP da Austrália porque Franco Colapinto teve um excelente reflexo para evitar bater em cheio em Liam Lawson, que não conseguiu sair do lugar quando as luzes se apagaram e saiu do carro dizendo que não tinha ideia de por que isso tinha acontecido.

"Eu tive muita, muita sorte. São coisas que podem acontecer com esses carros, mas foi muito perigoso, ainda bem que escapei."

É bom lembrar que a energia elétrica não é usada, por regulamento, nas largadas. Elas são mais complicadas com o atual regulamento pela necessidade de alimentar o turbo, o que antes era feito po rum gerador que foi retirado no regulamento deste ano.

O procedimento de largada já foi revisto, com mais tempo sendo dado aos pilotos para eles prepararem os carros, mas não foi suficiente para Lawson.

É claro que parte desses problemas será resolvido pela otimização dos carros por parte das equipes, mas a FIA costuma agir com rigor em nome da segurança, então não dá para descartar que sejam feitas mudanças.

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