Como explicar o pior início de uma campeã em mais de 10 anos na F1

Como explicar o pior início de uma campeã em mais de 10 anos na F1

A McLaren por pouco não viu Max Verstappen ficar com o título de pilotos após uma virada impressionante no final de 2025 que teve como pano de fundo a continuidade do desenvolvimento do carro da Red Bull, enquanto o time de Woking decidiu bem cedo focar seus esforços na mudança de regulamento desta temporada.

Mas, após duas etapas, eles estão tendo o pior início de ano de um time campeão desde que a Red Bull se perdeu com as regras de motor de 2014.

O paralelo dessas duas mudanças de regra é a importância do motor e o fato da Mercedes ter entendido melhor e mais rápido o regulamento. A diferença para a Red Bull de 2014 é que a McLaren é cliente da Mercedes, e mesmo assim ficou a 0s8 deles na classificação da Austrália, 0s5 na China, e terminou o primeiro GP a 50s de George Russell. Na segunda etapa, nem conseguiram largar.

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São três problemas diferentes aí, e um acaba tendo relação com o outro. A McLaren (e também a Williams) se surpreenderam com a maneira como a Mercedes administrou a energia de sua bateria na classificação da Austrália, o que mostrou às clientes o quão distante elas estavam do time principal.

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Isso é normal, pois o motor é desenvolvido em conjunto com a equipe de fábrica, e os clientes recebem o produto final. Cabe aos engenheiros deles que trabalham junto com os engenheiros da fornecedora (no caso, a HPP), otimizarem o que têm em mãos.

Na Austrália, eles perceberam que estavam longe de ter feito isso. E essa otimização é fundamental neste regulamento tão dependente da administração da energia. Já na China, acharam que chegaram mais perto, se você perguntasse para o chefe Andrea Stella. Se perguntasse para Lando Norris, ele diria que isso só aconteceu porque toda essa administração de bateria é muito mais simples de se fazer na pista de Xangai.

Não gerir bem a bateria causou outros problemas além do ritmo ruim: Oscar Piastri foi surpreendido com 100 kw a mais do que pensava ter em uma reaceleração levando o carro para o grid na Austrália, bateu, e sequer largou.

É aí que entra o segundo fator: a falta de experiência na pista. A McLaren até fez um teste decente, mas perdeu muito tempo real com essa batida de Piastri, e depois com os dois carros sequer largando, ambos com problemas elétricos na unidade de potência, em algo que, segundo a equipe, não está sob o controle deles.

Seja como for, eles só têm uma corrida, de Norris na Austrália, para analisar, além da sprint da China.

Desvantagem não é só motor

Mas também está claro que essa distância toda não é só pelo motor. Eles mesmos calculam que 50% da desvantagem vem do carro. Piastri disse que o que o time realmente precisa são atualizações, e o cancelamento de Bahrein e Arábia Saudita, as duas provas de abril, foi recebido até com certo alívio na McLaren, pois o primeiro pacote já estava preparado para o GP de Miami, no início de maio.

A suspensão não parece ter herdado o mesmo bom comportamento que marcou os carros campeões de 2024 e 2025, e uma opção de fazer um carro mais curto (e, na prática, com menos área para o assoalho, gerando menos pressão aerodinâmica) pode estar atrapalhando, ainda que Stella garanta que não haja nada "conceitualmente errado" no carro. "Ele só está pouco desenvolvido."

É claro que um carro que gera menos aderência também vai significar que a McLaren recupera menos energia que a Mercedes nas curvas, então está tudo interligado. É por isso, inclusive, que espera-se ver grandes diferenças de rendimento ao longo da temporada e o desenvolvimento certeiro da McLaren nos últimos anos dá confiança à equipe de que eles vão conseguir deixar esse início ruim para trás rapidamente.

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