'Odeio', 'sem palavras': por que pilotos criticam nova classificação da F1?

'Odeio', 'sem palavras': Por que pilotos criticam nova classificação da F1?

Charles Leclerc disse que "odeia", Max Verstappen disse que nem está frustrado mais, já não tem palavras. E a frustração em relação à classificação com o novo motor da Fórmula 1 só aumenta.

Leclerc é um dos críticos mais ferozes da classificação porque, em todas as que disputou até aqui, se viu com menos potência do que esperava na reta. A complexidade dessa nova unidade de potência da F1 é tamanha que é até difícil para os pilotos entenderem o que está acontecendo, mas há duas questões centrais.

O papel do algorítimo na classificação

Em um determinado ponto de cada pista, o piloto precisa estar com o pé no acelerador por um segundo para ativar o sistema que vai te dar o máximo de potência possível na reta. Paralelamente a isso, grande parte do sistema de recuperação e uso da energia elétrica do motor - que é híbrido na F1 - é decidida por algoritmos. Então se o piloto contorna uma curva mais rápido do que antes, algo que faria todo sentido durante uma classificação "normal", o sistema vai ter que corrigir o uso de energia mais para frente na volta.

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Outro ponto, salientado por Alex Albon e Fernando Alonso em Suzuka, é que "toda curva é de média velocidade agora", como definiu o tailandês. Isso porque os carros chegam no final das retas recuperando energia, então entram no que seriam curvas rápidas com menos velocidade.

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Então os pilotos estão vivendo situações em que fazer uma volta melhor que a anterior em termos de pilotagem em si, de encontrar o limite da aderência de cada curva, é mais lento do que ser mais conservador.

E uns têm se adaptado melhor do que outros a essa nova realidade, que é contraintuitiva para os pilotos.

De onde vem queda de 50km/h em plena reta

Isso sem falar na outra realidade do novo regulamento: quando há trechos longos de aceleração, a parte elétrica do motor vai perdendo potência, porque o algoritmo vê a reta como uma oportunidade de fazer o chamado superclipping, quando o MGU-K (o motor elétrico) deixa de empurrar o carro e passa a alimentar a bateria.

"Dói a alma ver a velocidade cair tanto", disse o atual campeão do mundo, Lando Norris. Na pista de Suzuka, a combinação entre o superclipping e o fechamento das asas na curva 130R geraram uma queda de mais de 50km/h, mesmo com os pilotos mantendo a aceleração máxima.

Isso não será tão pronunciado na corrida, porque o limite de uso de energia sobe para o máximo, 9MJ por volta. Ele foi alterado para a classificação para evitar que os pilotos tivessem que tirar o pé do acelerador antes das curvas para recuperar a bateria.

A alteração mostra como a FIA e as equipes estão cientes dos problemas e estão abertos para encontrar soluções. Daqui até a próxima etapa, que será disputada só em maio, por conta do cancelamento de duas provas no Oriente Médio em abril, haverá discussões de alterações que tenham um impacto maior.

O problema é a complexidade do regulamento e os interesses envolvidos. Afinal, cada um defende mudanças que vão beneficiar o equipamento que têm em mãos. É claro, ainda, que todas essas queixas são mais fortes agora porque as equipes ainda não otimizaram seus motores. Mas, até que a F1 encontre a receita certa para uma classificação em que, como bem definiu Leclerc, você possa "tentar coisas na última volta rápida que não tentou antes e ser mais rápido com isso", os pilotos vão reclamar.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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