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Volks vê Brasil como 'muito rentável' e não teme chinesas, diz VP global

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Volks vê Brasil como "muito rentável" e não teme chinesas, diz VP global

Em meio ao custo Brasil, ao avanço das montadoras chinesas e à incerteza sobre o ambiente tributário, a Volkswagen global faz uma leitura mais otimista do país: vê aqui um "negócio muito rentável". A definição foi dada por Martin Sander, vice-presidente global de vendas da marca, e ajuda a explicar por que o Brasil e a América do Sul ganharam tanto peso no mapa estratégico da companhia.

Em entrevista exclusiva, o executivo classificou a região como um "pilar sólido e confiável" para o negócio mundial da Volkswagen e destacou a força da operação brasileira. O discurso conversa com os números apresentados pela própria montadora: a América do Sul foi o terceiro maior mercado da marca em 2025, atrás apenas de China e Europa, com 569 mil vendas na região.

"Do ponto de vista global, o Brasil é muito importante para a Volkswagen porque temos uma posição muito forte aqui. É um grande mercado, um negócio muito rentável, com uma ótima linha de produtos e uma rede de concessionárias forte em toda a região. A América do Sul é realmente um pilar sólido e confiável para o nosso negócio global", disse Sander.

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A fala chama atenção porque contrasta com o cenário endossado há anos na indústria automotiva no Brasil. De um lado, as fabricantes instaladas no país seguem reclamando de custos elevados de produção, carga tributária complexa e dificuldade de previsibilidade. De outro, convivem com a pressão crescente das montadoras chinesas, que avançam com velocidade, preço competitivo e forte ofensiva de produto. Ainda assim, a leitura global da Volkswagen é de que o Brasil continua entregando rentabilidade e relevância estratégica.

Essa percepção ajuda a explicar por que a montadora vem reforçando sua aposta na região. A Volkswagen informou alta de 15% nas vendas na América do Sul em 2025, disse que a produção regional superou a média histórica e apresentou uma nova ofensiva de produtos de R$ 20 bilhões e 21 lançamentos até 2028.

"Sem ambição" pela liderança

O trecho mais revelador da entrevista apareceu quando o assunto chegou às picapes. Questionado se a Volkswagen precisa ser mais forte nesse segmento para crescer mais no Brasil, Sander evitou tratar o tema como condição essencial para a marca. Preferiu lembrar que a empresa já vive um bom momento em SUVs, com o Tera, mas reconheceu que as picapes viraram uma avenida clara de expansão.

"Já somos fortes em SUVs, com a nossa linha de produtos e com o Tera, que tem sido um grande sucesso desde o começo. Mas o mercado de picapes é um mercado grande e existe potencial para crescermos. Teremos produtos fortes para aproveitar esse potencial", afirmou.

O tom da resposta talvez diga tanto quanto o conteúdo. Ao frear uma leitura de que um crescimento no segmento de picapes poderia tornar a Volkswagen líder de mercado no país, lugar ocupado pela Fiat, com a frase "não vamos ser ambiciosos demais", Sander deixou claro que a marca quer avançar nesse segmento, mas sem criar expectativa de liderança no curto prazo.

E há sinais concretos de que essa frente ganhou musculatura dentro do plano regional. A futura Volkswagen Tukan, apresentada como uma "picape 100% brasileira", será produzida em São José dos Pinhais, Paraná, com 76% de nacionalização na versão eletrificada e 85% na flex. Do pacote de R$ 20 bilhões de investimentos na América Latina até 2028, R$ 3 bilhões devem ser destinados ao projeto.

A outra peça dessa ofensiva está na Argentina. A Volkswagen já anunciou investimento para produzir, em General Pacheco, a nova geração da Amarok voltada à América do Sul.

Queda em mercados gigantes

Na parte mais global da conversa, Sander reagiu de forma diferente quando perguntado sobre China e Estados Unidos. No caso chinês, evitou qualquer leitura de fragilidade e preferiu enfatizar a liderança da Volkswagen no país, além da ofensiva de eletrificados, apesar da queda de 8% nas vendas em 2025.

"Na China, somos número um. A Volkswagen é a maior marca por lá. Entendemos muito bem o cliente chinês e estamos fazendo a coisa certa para conquistar mercado. Além disso, estamos lançando 17 novos produtos neste ano, todos veículos de nova energia, com motorização híbrida plug-in ou elétrica a bateria", disse.

Sobre os Estados Unidos, onde teve uma queda de 13% nas vendas, por outro lado, foi mais direto e menos protocolar. Admitiu que o mercado americano hoje representa um desafio e atribuiu isso às tarifas.

"Os Estados Unidos são um desafio por causa das tarifas. É por isso que estamos repensando nossa estratégia para o país", afirmou.

A perspectiva de Sander joga luz sobre uma contradição antiga da indústria. O Brasil costuma ser descrito pelas montadoras como um mercado difícil, caro e imprevisível. Mas, quando o assunto sai do discurso setorial e entra na lógica de negócio, a definição muda: para a Volkswagen global, trata-se de um "negócio muito rentável".

A frase não elimina os problemas reais da operação brasileira, mas enfraquece a velha máxima de que o país é apenas um ambiente hostil para quem produz. Não é. Se fosse, a marca não estaria colocando o Brasil e a América do Sul no centro de uma ofensiva de R$ 20 bilhões.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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