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Virão ao Brasil? Por que venda de carros eletrificados despencou na China

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20.03.2026

Virão ao Brasil? Por que venda de carros eletrificados despencou na China

A desaceleração dos carros eletrificados na China deixou de ser uma previsão para se tornar dado concreto. Depois de anos sustentado por incentivos e guerra de preços, o maior mercado do mundo começa a mostrar os primeiros sinais reais de ajuste.

Em fevereiro de 2026, as vendas de veículos eletrificados, que incluem elétricos e híbridos plug-in, somaram cerca de 464 mil unidades no país, uma retração de 32% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA, sigla em inglês).

No recorte dos veículos 100% elétricos, a queda foi ainda mais intensa, de 34,9%. Já os híbridos plug-in recuaram 31%. Considerando o mercado total, ou seja, carros de todos os tipos de produção, a queda foi de 15%.

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O movimento não começou ali. Em janeiro, o mercado já havia registrado uma queda de 20% na comparação anual, interrompendo uma sequência de crescimento praticamente contínuo. No acumulado do início de 2026, o recuo gira em torno de 30% no segmento de eletrificados, revertendo um ritmo de crescimento de cerca de 18% em 2025, de acordo com a CPCA.

Os números ajudam a dimensionar o momento, mas não explicam tudo. Para entender o que está acontecendo, é preciso olhar para o que mudou no ambiente que sustentava esse crescimento.

Fim da demanda "artificial"

O primeiro ponto é a redução do suporte do governo, pois os estímulos que vinham sustentando o ritmo mais forte de vendas ficaram menos intensos na virada do ano. O principal deles é o benefício fiscal na compra de veículos eletrificados, que funciona como uma isenção do imposto de aquisição. Até 2025, essa isenção podia chegar a 30 mil yuans por veículo, o que na prática zerava o imposto para boa parte dos modelos. A partir de 2026, o teto foi reduzido para 15 mil yuans.

Junto a isso, programas de renovação de frota, os chamados trade-ins, passaram por ajustes e ficaram menos generosos em parte do país, especialmente para veículos de menor valor, que concentram grande parte do volume.

Outro ponto é a intervenção do governo chinês na guerra de preços entre montadoras. Ao proibir práticas consideradas predatórias e tentar impor mais disciplina ao setor, Pequim mexe justamente em um dos principais mecanismos de ajuste do mercado.

Isso porque durante a fase mais agressiva da disputa, o excesso de oferta era resolvido com desconto. Vender mais barato, mesmo sacrificando margem, era uma forma de manter as fábricas operando e evitar prejuízos maiores com estoques elevados. Agora, com restrições mais claras, o consumidor chinês passou a "cruzar os braços" em vez de assinar o contrato.

O efeito também aparece nas montadoras. A BYD, maior fabricante de eletrificados do mundo, registrou queda de 41% nas vendas domésticas em fevereiro. O recuo foi puxado tanto pelos elétricos quanto pelos híbridos plug-in.

O impacto da desaceleração de vendas do mercado chinês vai muito além do território. Considerando que a China é um dos maiores produtores de automóveis do mundo, quanto mais carros "sobram" no mercado doméstico, maior a pressão para exportação.

Como explica o consultor automotivo Milad Kalume, o desequilíbrio estrutural entre produção e consumo é o principal pano de fundo do setor automotivo chinês. A capacidade produtiva é maior do que a demanda interna.

"Entendo que exista um problema na China que diz respeito a uma capacidade produtiva maior do que a demanda. Isto não é recente e levou a China a ampliar seus horizontes exportando seus produtos para outros mercados nos últimos anos."

A consequência, segundo Milad, tende a ser a consolidação. "A maior consequência é a possibilidade de fusão de algumas empresas. Quem não conseguir produzir com ainda mais eficiência deverá sair do mercado, se encolher ou se fundir com uma outra empresa."

Ele avalia que o curto prazo pode trazer impacto nas vendas, mas que a reorganização deve prevalecer. "Com o passar dos meses a reorganização prevalecerá e ficará mais evidente do que um encolhimento estrutural. Apostaria em menos marcas atuando por lá - considerando que hoje são quase 150 -, maior disciplina nos preços pelas fabricantes e ainda maior eficiência produtiva."

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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