menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Locadoras compram 40% dos carros mais baratos e 1/4 dos Fiat no Brasil

18 0
19.03.2026

Locadoras compram 40% dos carros mais baratos e 1/4 dos Fiat no Brasil

Maiores clientes do mercado automotivo nacional, as locadoras de veículos divulgaram o seu anuário de 2025 nesta quarta-feira (18). Durante o ano passado, elas foram responsáveis por comprar 628.970 automóveis e comerciais leves, de um total de 2,55 milhões vendidos no mercado brasileiro.

Na prática, isso significa que 24,6% de todos os carros vendidos no país tiveram como destino as frotas de locação, quase um em cada quatro veículos.

O que chama atenção, no entanto, não é apenas o volume, mas o impacto desse movimento na organização do mercado. Para se ter uma ideia, mais de um quarto dos veículos da Fiat, montadora mais vendida no país, foram comprados pelas locadoras. A marca concentrou 28,9% das aquisições do setor, seguida por Volkswagen (24,1%) e Chevrolet (15%).

PVCQue espetáculo a virada do Vasco contra o Flu

Que espetáculo a virada do Vasco contra o Flu

Daniela LimaToffoli rechaça licença e afastamento do STF

Toffoli rechaça licença e afastamento do STF

Mauro CezarCampanha por Neymar na Copa é constrangedora

Campanha por Neymar na Copa é constrangedora

Helio de La PeñaO humor é preterido pelos próprios colegas de teatro

O humor é preterido pelos próprios colegas de teatro

A concentração fica ainda mais evidente quando se observa os segmentos de maior volume. Entre os hatches pequenos, categoria que reúne os modelos de entrada, as locadoras responderam por 39,4% das compras em 2025. Ou seja, praticamente quatro em cada dez carros mais baratos vendidos no Brasil foram destinados a frotas, e não ao consumidor final.

Esse peso ajuda a explicar por que determinados modelos seguem entre os mais vendidos do país mesmo em um cenário de crédito caro e consumo mais restrito. O Fiat Argo Drive, por exemplo, foi o veículo mais emplacado pelas locadoras no período, com 55,4 mil unidades.

Apesar da forte presença, o volume de compras do setor teve leve recuo de 3,1% em relação a 2024. Ainda assim, o nível de participação se manteve elevado e veio acompanhado de um aumento relevante no valor investido pelas empresas.

Segundo o anuário, as locadoras destinaram R$ 79,3 bilhões à compra de veículos em 2025, alta de 15,3% na comparação anual. O investimento médio por unidade chegou a R$ 126 mil, avanço de 19%, movimento que reflete tanto a inflação dos preços quanto a mudança no perfil dos modelos adquiridos.

Para se ter uma ideia, houve um crescimento importante na compra de eletrificados: as locadoras emplacaram 20.475 veículos desse tipo em 2025, alta de 159% sobre o ano anterior. Ainda assim, o volume representa apenas uma pequena fração do total.

Com isso, mesmo comprando ligeiramente menos carros, o setor ampliou o faturamento e reforçou sua relevância dentro da indústria. No total, as locadoras movimentaram R$ 61,7 bilhões em receita no ano passado, crescimento de 16,6%.

A expansão também aparece no tamanho da frota. O setor atingiu um recorde de 1,71 milhão de automóveis e comerciais leves disponíveis, alta de 6,2% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a idade média dos veículos caiu de 17,5 para 16,4 meses, indicando um ritmo acelerado de renovação.

Além dos carros de passeio, as locadoras ampliaram presença em outros segmentos. A frota de motocicletas cresceu 81,6%, enquanto caminhões avançaram 10,5% e ônibus, 20,7%.

Onde a locadora lucra?

Por trás dos números, existe uma dinâmica conhecida do mercado automotivo brasileiro. As locadoras não apenas compram em volume, mas operam com condições comerciais diferentes do consumidor comum, com descontos relevantes nas aquisições junto às montadoras e carga tributária distinta na compra dos veículos.

Esse modelo permite que as empresas renovem a frota em ciclos curtos, geralmente entre 12 e 18 meses, e coloquem esses carros novamente à venda no mercado como seminovos. Com isso, veículos adquiridos com condições mais vantajosas retornam ao consumidor final pouco tempo depois, já com depreciação e com preços competitivos em relação ao zero-quilômetro.

Na prática, o setor funciona como um intermediário relevante entre a indústria e o comprador pessoa física. De um lado, ajuda as montadoras a sustentar volumes elevados de produção mesmo em um cenário de crédito caro e demanda mais fraca no varejo. De outro, abastece o mercado de usados com veículos mais novos, contribuindo para a renovação da frota circulante.

As locadoras afirmam que o ganho está na operação, no aluguel dos veículos ao longo do ciclo de uso. Ainda assim, a combinação entre condições de compra, escala e velocidade de revenda levanta uma questão recorrente no setor: até que ponto a rentabilidade também passa pela venda desses carros no mercado de seminovos?

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Santos demite Vojvoda após derrota, e Cuca surge como primeira opção

Neymar faz de pênalti, mas Inter marca no fim e vence o Santos na Vila

Que espetáculo a virada do Vasco contra o Fluminense!

Trump ameaça Irã com ataque massivo se país voltar atacar o Qatar

Influenciadora pode ter sido enterrada viva em mala por ex, aponta autópsia


© UOL