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Por trás de discurso na Índia, Lula, Macron e big tech tratam de armamentos

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20.02.2026

Por trás de discurso na Índia, Lula, Macron e big tech tratam de armamentos

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Início da noite de quinta em Nova Déli, um membro da delegação brasileira apareceu para contar o que, afinal, o presidente Emmanuel Macron queria tanto conversar com Lula. O francês pediu o encontro bilateral não para falar de inteligência artificial, tema da cúpula indiana, ou sequer do acordo Mercosul-União Europeia, criticado por ele e defendido pelo brasileiro.

Macron queria tratar de armamentos produzidos no Brasil, como helicópteros e submarinos, além da Embraer. Segundo nota posterior do governo brasileiro, abordaram "cooperação nas áreas de defesa".

Falaram também de "esforços conjuntos para combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras formas de crime transnacional na divisa entre o Amapá e a Guiana Francesa". E Macron convidou Lula para a reunião do G7, o encontro dos governantes de países ricos em junho, na França.

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Na cúpula indiana, na quinta, os dois presidentes fizeram discursos públicos bem-intencionados, em favor do controle das big techs voltadas ao desenvolvimento de IA. E antes de ambos discursaram, também com boas intenções, os CEOs Sundar Pichai e Dario Amodei, das big techs americanas Google e Anthropic.

Amodei, por exemplo, falou que "as questões sociais e éticas em torno da tecnologia [de IA] se tornaram ainda mais urgentes". Ela traz "oportunidades e preocupações para a humanidade". Entre as primeiras, tirar pessoas da pobreza, "inclusive no Sul Global". Entre as preocupações, "o potencial para uso indevido por governos".

O jornal The Wall Street Journal revelou dias antes que o modelo de IA da Anthropic, Claude, foi usado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na operação contra a Venezuela —a primeira intervenção militar direta na América do Sul em dois séculos, desde o fim do colonialismo. A empresa fechou no ano passado um contrato de US$ 200 milhões com o órgão americano.

E paralelamente à cúpula a Anthropic anunciou um programa para fornecer IA ao governo de Ruanda, em áreas como infraestrutura. É o governo africano que dá apoio ao grupo armado que tenta tomar parte do território da República Democrática do Congo, ao lado, uma das guerras que Donald Trump diz ter encerrado.

Além de Macron, Pichai também pediu conversa com o presidente do Brasil. O executivo do Google, segundo publicação de Lula nas redes sociais, "sinalizou o compromisso de aprofundar a parceria com o governo brasileiro". A exemplo da Anthropic e da OpenAI, que está na cúpula, mas não discursou, o Google tem contrato com o Departamento de Defesa dos EUA, segundo o WSJ.

Bill Gates, fundador da Microsoft, outra big tech contratada pelo Pentágono, também deveria falar na cúpula indiana. Mas desistiu na manhã de quinta, após a revelação de mais vínculos seus com Jeffrey Epstein, pivô do escândalo de abuso sexual e tráfico de influência no Ocidente.

* O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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