Em balé histórico, batalhão de mulheres dança e atira em homens opressores |
Em balé histórico, batalhão de mulheres dança e atira em homens opressores
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A um ano do centenário do Exército de Libertação Popular, fui ver "O Destacamento Vermelho de Mulheres" no Teatro Tianqiao, hoje parte de um complexo voltado a grandes espetáculos, inclusive musicais da Broadway, ao sul da praça Tiananmen, em Pequim.
É a remontagem de um balé histórico que estreou em 1964 e acabou incluído entre os oito modelos de espetáculos da Revolução Cultural pela atriz Jiang Qing, mulher de Mao. Foi apresentado a Richard Nixon quando este visitou a China, em 1972, e fez turnês pelo Ocidente.
Em comparação com o filme produzido na época, disponível no YouTube, a nova produção do Balé Nacional da China, sucedâneo da companhia original, é menos heróica e revolucionária — e mais realista quanto à violência contra as mulheres e quanto à sua vingança crua.
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O batalhão feminino foi parte das forças comunistas na ilha de Hainan, na guerra civil contra os nacionalistas. O espetáculo teria sido desenvolvido com depoimentos das sobreviventes. A protagonista, Wu Qinghua, é uma escrava que foge, é presa e quase morta ao ser chicoteada pelo senhor local.
Depois atira para matá-lo, mas ele sobrevive. Ela então se incorpora aos comunistas, se prepara para o combate com armas e disciplina, até que, tornada líder, mata o senhor feudal com as companheiras. Com dezenas de tiros.
Em contraste com a heroína inquebrantável de Xue Jinghua no filme de 1970, estilizada, mito da Revolução Cultural, Zhang Yizhu humaniza Wu Qinghua, agora menos idealista. Uma mulher como as outras, que erra — e é mais sensual.
A jornalista Chen Ziwei, da Xinhua, anotou: "Zhang Yizhu se levanta cambaleando. Essa jovem atriz transforma técnica impecável em gritos de opressão, cada movimento de seus pés parecendo tremer como se estivesse acorrentada. Da impotência e da dor à alegria da esperança, tudo é transmitido ao público através do olhar, dos pés e de outros detalhes".
O coro de 20 mulheres do Exército de Libertação Popular (e número igual de homens, atrás delas) interpreta nas laterais do palco, acompanhado por grande parte da plateia feminina, pronta para pegar em armas, a Canção do Batalhão Feminino:
"Avancem, avancem/ O dever das guerreiras é grande, o ódio da mulher é profundo/ Antes houve Hua Mulan, que serviu o exército em lugar do pai/ Hoje há o batalhão feminino, que pega em armas pelo povo"
Saiu a sétima edição do prêmio Casa do Jornalista, criado e mantido por jornalistas chineses fora de pressões internas ou estrangeiras. Destacou reportagens sobre estupro, violência doméstica e o grande incêndio em Hong Kong, entre várias outras, sublinhando a quantidade de trabalhos de qualidade no ano.
O vencedor foi "O caso de estupro na casa nupcial". Um dos trechos:
"Eles haviam ficado noivos recentemente: ele tinha 27 anos e ela 24. No dia anterior, as duas famílias haviam realizado um banquete de noivado. No dia do incidente, compartilharam outra refeição, desta vez oferecida pela família da mulher, seguindo um costume de Datong conhecido como 'convidar o genro'. Depois do almoço, o casal foi para o apartamento preparado pela família do homem para ser o futuro lar conjugal. Mas às 22h52 daquela noite a jovem ligou para a polícia e disse que havia sido estuprada pelo rapaz."
Sem Oscar, atrás de bilheteria
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Wagner Moura não levou o Oscar, mas vai entrar em cartaz no mercado cinematográfico de maior bilheteria neste início de 2026, a China. "A Agente Secreto" estreia no próximo dia 27.
Pouco antes de também perder o Oscar de melhor ator, Timothée Chalamet fez turnê promocional no país, jogando e perdendo no pingue-pongue para uma tia chinesa e usando a blusa do filme com os caracteres para "Marty Supreme".
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