A filosofia chinesa contra o mito do momento certo

Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro

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A filosofia chinesa contra o mito do momento certo

Pensadores antigos refletiram sobre como agir em um mundo instável, o mesmo dilema do investidor moderno

Erro financeiro mais comum não é escolher mal, mas adiar decisões esperando segurança

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Há quem espere a vida se organizar finaceiramente para começar a agir. O senso comum diria para aguardar primeiro o trabalho estabilizar, depois a economia melhorar, mais adiante, quando os riscos diminuirem, então, finalmente, seria a hora de investir.

O problema é que esse momento raramente chega. O mundo não foi feito para oferecer condições ideais, e sim para mudar continuamente. É justamente por isso que a filosofia chinesa tem mais a ensinar sobre o hábito nos investimentos: ela parte do princípio de que a incerteza não é exceção, é a regra.

Para Laozi, autor do "Tao Te Ching" ("O Livro do Caminho e da Virtude"), a realidade não é algo estático esperando ser compreendido; ela está sempre em transformação. O "I Ching" (O Livro das Mutações) parte da mesma ideia ao descrever a vida como sucessão de fases, e não como uma linha estável interrompida por crises ocasionais. Já Confúcio não prometia domínio sobre os acontecimentos, mas responsabilidade sobre a conduta diante deles.

Esses ensinamentos surgiram para orientar decisões morais, políticas e pessoais em sociedades antigas, não para orientar aplicações financeiras. Ainda assim, tratam exatamente do mesmo problema enfrentado pelo investidor moderno: como agir quando o ambiente muda continuamente e nenhuma situação permanece por muito tempo.

O investidor costuma tratar cada turbulência como excepcional. Espera um momento econômico previsível para começar a aplicar, aguarda a queda da volatilidade para entrar em alternativas de risco ou posterga decisões até que notícias negativas desapareçam.

A sensação é de que existe um momento correto, livre de riscos, em que finalmente será possível agir com tranquilidade. Esse momento não chega porque nunca existiu.

A economia não migra para normalidade; ela alterna fases. Pandemias, mudanças de juros, ciclos de crescimento e períodos de desaceleração não são desvios da regra. São a própria regra. O erro do investidor não está, na maioria das vezes, em escolher ativos inadequados, mas em condicionar suas decisões à esperança de estabilidade.

A filosofia chinesa sugere outra atitude. Em vez de esperar clareza total, a atitude correta depende de coerência. Não significa ignorar riscos, mas agir proporcionalmente a eles sem exigir garantias. Investir deixa de ser uma tentativa de acertar o próximo cenário e passa a ser um hábito mantido apesar dele. Quando essa postura é adotada, as consequências aparecem lentamente.

O investidor negocia menos movido por manchetes, abandona menos planos no meio do caminho e passa a errar menos por impulso. A tranquilidade não vem porque o mercado ficou previsível, mas porque as decisões deixam de oscilar junto com ele.

Quem depende de cenários precisos e estáveis para decidir sua alocação estratégica nunca começa.

Quem entende o comportamento do mercado precisa apenas persistir. Ao longo do tempo, patrimônio costuma nascer menos da capacidade de antecipar mudanças e mais da capacidade de não abandonar critérios sempre que elas ocorrem. O investidor não fracassa porque o mundo muda, mas porque tenta agir apenas quando acredita que ele parou de mudar.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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