Por que Palmeiras e Flamengo precisam ter atenção e cuidado nas finanças
Por que Palmeiras e Flamengo precisam ter atenção e cuidado nas finanças
por Bruno Chatack e Caio Marins*
Juntos, os dois somaram R$ 3,8 bilhões de receita em 2025. Porém, 2026 cobrará de ambos uma disciplina maior. No futebol brasileiro, saúde financeira é a exceção, não a regra. A maior parte dos clubes convive com dívidas que se arrastam há décadas e raramente encontram uma rota de saída. Palmeiras e Flamengo são o avesso desse retrato.
Nos últimos anos, se firmaram como os clubes mais bem administrados do país, cada um pelo seu caminho, e é o que fizeram de certo até aqui que ajuda a medir o risco que ambos assumem em 2026. Os dois são o maior exemplo de que um clube associativo brasileiro pode reestruturar dívidas históricas, mudar de patamar de receita e se sustentar, ano após ano, com uma gestão responsável.
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O Flamengo transformou o tamanho da sua torcida em receita recorrente e rompeu a marca de R$ 1 bilhão em faturamento anual não ligado à venda de jogadores. Em 2025, essa receita recorrente chegou a R$ 1,57 bilhão. O Palmeiras construiu, na última década, a combinação mais eficiente do país entre sucesso esportivo e formação/venda de atletas a ponto de a negociação de jogadores ter respondido por R$602 milhões, ou 35% de toda a receita bruta do clube em 2025.
Em outras palavras: transformou em rotina uma receita que, para a maioria dos clubes, é imprevisível. No entanto, terminado o primeiro semestre de 2026, ambos mostram, cada um a seu modo, sinais de que esse equilíbrio está sendo posto à prova. Os números, tirados diretamente dos portais de transparência dos clubes, não configuram crise. Mas pedem atenção redobrada, principalmente em um país onde o dinheiro está caro há mais tempo do que a economia consegue absorver.
Uma ressalva metodológica antes de seguir: os dois clubes divulgam suas contas em periodicidades diferentes. O Flamengo publica um relatório de transparência trimestral (os dados a seguir são do primeiro trimestre de 2026, ainda não auditados). O Palmeiras divulga demonstrações anuais auditadas (a última fechada é a de 2025) e balancetes mensais não auditados, dos quais o mais recente é o de maio de 2026. A comparação direta entre um trimestre de um e o acumulado do outro, portanto, serve para ilustrar tendências, não para cravar um ranking mês a mês.
O Palmeiras encara a fatura da temporada em que o clube gastou como nunca, pois 2025 foi o ano mais caro da história do clube no mercado de transferências. Somando aquisições e luvas, investiu cerca de R$ 970 milhões em reforços, mais de cinco vezes o valor gasto em 2024. Entraram no elenco, entre outros, Vitor Roque, Paulinho, Facundo Torres e Ramón Sosa.
À época, era........
