Sem Trump, evento MAGA expõe confusão da base trumpista com guerra no Irã
Sem Trump, evento MAGA expõe confusão da base trumpista com guerra no Irã
Pela primeira vez em dez anos, Donald Trump não comparecerá à maior conferência conservadora do mundo, o CPAC. O presidente dos EUA era esperado para discursar no próximo sábado, 28, diante da base que o catapultou na política, o MAGA ("Make America Great Again", ou Faça a América Grande Outra Vez). Mas a Casa Branca confirmou ao UOL ontem (25) que Trump se ausentará do evento, em Dallas, no Texas, porque "ele está intensamente envolvido no conflito em curso no Irã e na gestão de outras questões críticas".
A guerra, batizada por Trump de Fúria Épica, completa um mês exatamente no próximo sábado - e lançou a base trumpista em uma intensa confusão. Desde 2015, Trump rompeu com a tradição militarista republicana e se mostrou crítico às "guerras sem fim" em que os EUA se envolveram no Oriente Médio, em referência ao Iraque e ao Afeganistão. Uma de suas promessas de campanha era justamente não iniciar novas guerras. Por isso mesmo, a incursão americana no país persa deixa mesmo os mais leais seguidores desconfortáveis.
"Eu tenho certeza que ele (Trump) tem uma boa razão para ir à guerra, mas esta razão não foi dita claramente", afirma o coletor de impostos Robert Simon, de 78 anos, que veio de Nova York a Dallas para ver Trump pela primeira vez e se frustrou com sua ausência. "Esta é uma guerra muito difícil de vencer e eu temo o estrago eleitoral que pode trazer para o presidente", completou Simon, em referência às eleições de meio de mandato, em novembro, quando Trump pode perder a maioria que possui tanto na Câmara quanto no Senado para os Democratas. Esta semana, o presidente chegou a seu mais baixo nível de apoio popular desde o início do mandato, com 36% de aprovação na população em geral, segundo a Reuters. Porém, é justamente no grupo de conservadores MAGA que ele encontra seu maior conforto, com 92% de aprovação segundo levantamento da rede CBS.
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Mas enquanto nem Trump, nem seu secretário de Estado Marco Rubio ou seu vice JD Vance estarão presentes para defender a empreitada militar, o ideólogo MAGA Steve Bannon, um de seus mais vocais críticos, é um dos nomes confirmados para discursar diante de milhares de apoiadores do republicano. Bannon já sugeriu que uma guerra que durasse mais do que um mês poderia trazer graves consequências aos republicanos. "Vamos sangrar apoio", afirmou em seu podcast, The War Room. E embora Trump afirme não descartar a opção, Bannon já declarou ser contrário ao envio de soldados norte-americanos ao Irã.
Esta é também a posição da enfermeira Barbara Frances Delo, de 73 anos. "Eu não gostaria de ver nossas tropas lá. Eu entendo quase todas as ações que o presidente toma. Essa eu não entendi, mas eu confio plenamente nele, ele com certeza sabe coisas que eu não sei, é muito inteligente e por isso tomou essa decisão", diz Delo.
Já a cabeleireira Deborah Yanna, de 61 anos, diz que "Trump não gosta de ver pessoas morrendo", mas foi obrigado a lançar a ofensiva no Irã agora porque "seus antecessores não o fizeram". "Eram todos líderes fracos, agora temos alguém forte na presidência, que resolveu dar um basta a quem passou décadas bradando 'morte à América'", diz Yanna, em referência à República Islâmica.
Ela se orgulha de ter sido uma das mais fervorosas voluntárias de Trump nas últimas eleições em seu Estado, Iowa, feito que lhe rendeu uma foto com o presidente. E admite não ter "a menor ideia" de como ou quando a guerra no Irã deve acabar. Já Simon aposta que o fim do conflito deve estar próximo.
"Trump é o autor de 'A Arte da Negociação', algum tipo de acordo deve estar em costura de alguma maneira", opina. O governo Trump afirmou na última segunda-feira (23), ter entrado em negociações com o governo do Irã e circulou uma proposta de paz com 15 pontos, que incluía o fim do programa nuclear iraniano e restrições severas ao seu potencial de produção de mísseis balísticos de longo alcance. Em resposta, porém, Teerã disse que só aceitaria abrir negociações se houvesse reparações ao país pela guerra e o reconhecimento de seu domínio sobre o Estreito de Hormuz, passagem marítima pela qual escoa 20% da produção de petróleo mundial.
"Acordo" é uma palavra que a jornalista americano-iraniana Shiva Fard franze o cenho ao ouvir, em meio aos corredores do CPAC. Ela faz parte de um grupo de apoiadores do herdeiro do xá Mohammed Reza Pahlavi, também chamado de Reza Pahlavi, dinastia derrubada do poder em Teerã pela Revolução Islâmica.
Pahlavi, exilado nos EUA, participará do CPAC, mas Donald Trump já o descartou como solução de poder para o país justificando que ele carece de apoio popular, e que preferia ver no controle "alguém de dentro do Irã".
"O que a gente queria era a mudança de regime, mas não esse grau de caos e destruição em que o Trump mergulhou o Irã. É assustador, não foi isso o que pedimos", diz Fard, dizendo que o atual conflito não se compara nem mesmo à destruição vista durante a guerra de oito anos entre o Irã e o Iraque, nos anos 1980. Apoiadora dos republicanos, ela diz que sente que nem mesmo os trumpistas mais aguerridos estão entendendo as decisões de Trump sobre o conflito e que teme a destruição da infraestrutura energética do Irã. "O pior cenário seria a do país completamente devastado e ainda com os aiatolás no poder", diz Fard.
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