Na CPAC, Flávio compara pai a Trump e acusa Lula de 'lobby por CV e PCC'
Na CPAC, Flávio compara pai a Trump e acusa Lula de 'lobby por CV e PCC'
Em um discurso em inglês de cerca de 15 minutos, em Dallas, no Texas, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou caracterizar as eleições presidenciais brasileiras de outubro como uma batalha existencial para a direita dos Estados Unidos.
Diante de uma plateia de milhares de trumpistas na maior conferência conservadora do mundo, a CPAC, ele comparou a trajetória do pai com a de Donald Trump, acusou Lula de fazer lobby em favor de facções criminosas brasileiras e de privilegiar interesses chineses, cubanos e iranianos sobre os dos norte-americanos. "Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível", disse Flávio.
Coube a Eduardo Bolsonaro, apresentado como "ex-deputado federal em exílio", chamar ao palco o irmão, não sem antes mostrar à audiência que estava registrando o evento em um vídeo de celular, "para mostrar ao meu pai". Seria apenas a primeira referência a Jair Bolsonaro, que dominaria cerca de um terço da intervenção de Flávio.
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"Eu sei que vocês me olham e pensam que me reconhecem de algum lugar, provavelmente vocês estão pensando no meu pai, Jair Bolsonaro", disse Flávio, lendo o texto, escrito com o auxílio do ex-comentarista Paulo Figueiredo, em um teleprompter.
Na sequência, ele apresentou fotos de Bolsonaro: como presidente, com Trump em 2019, na Casa Branca, em um discurso na CPAC em 2023 e, por fim, em sua última internação hospitalar, já preso e cumprindo pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.
"A acusação formal é similar à que o presidente Trump enfrentou: insurreição. Soa familiar?", disse Flávio à plateia, que riu. As comparações não pararam aí. "Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Donald Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Donald Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo. Nós brasileiros ainda estamos lutando", disse.
Na segunda parte do discurso, Flávio passou a caracterizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à audiência não apenas como seu principal adversário (ambos aparecem em empate técnico em diferentes pesquisas) mas como um inimigo dos interesses trumpistas. Ele o qualificou como um "socialista condenado por corrupção" e mostrou à audiência uma foto de Lula abraçado ao líder venezuelano Nicolás Maduro. Maduro está atualmente preso em Nova York, depois de ter sido removido de Caracas por forças militares americanas em janeiro, em uma ação da qual os trumpistas se orgulham.
"Talvez vocês estejam pensando: 'Por que deveríamos nos importar? Este é um problema do Brasil'. Deixem-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo", disse.
Foi a deixa para citar algumas das maiores prioridades do governo republicano: minerais críticos e combate ao narcotráfico.
"O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras", disse, relembrando que os chineses controlam mais de 90% do refino e processamento destes minerais. Em meio à guerra tarifária entre Trump e Xi Jinping, Pequim chegou a suspender a exportação de terras-raras aos EUA, forçando Trump a fazer concessões no ano passado.
Em um dos principais pontos da campanha da direita brasileira, retomou a defesa da classificação de CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA. A causa tem mobilizado Eduardo há meses, em conversas junto a autoridades em Washington. O governo Lula se opõe à medida porque vê na classificação potencial pretexto para ataques militares dos EUA em território brasileiro ou aplicação de sanções financeiras contra empresas do país, além de interferência em um assunto referente à soberania nacional.
"Ele [Lula] usou lobby pesado com certos conselheiros americanos para evitar que os dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, o presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo", disse Flávio, em referência às conversas recentes sobre o assunto entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio. O governo Lula tem proposto uma parceria com Trump para combater a lavagem de dinheiro do crime organizado brasileiro nos EUA e coibir a importação de armas por esses grupos de fornecedores americanos. Lula pretende visitar Trump na Casa Branca. A expectativa era que o encontro acontecesse em março, mas o governo americano ainda não definiu uma data.
Os bolsonaristas não escondem o desejo de que a visita de Lula não ocorra. À plateia americana, Flávio disse que Lula é antiamericano e tenta "minar o dólar como moeda global". Ele ainda usou o episódio do cancelamento do visto brasileiro do funcionário do Departamento de Estado, Darren Beattie, para dizer que "o Brasil agora está expulsando diplomatas americanos". Beattie nunca chegou a viajar ao Brasil porque sua autorização foi revogada antes de seu embarque, depois que ele pediu para visitar Bolsonaro na prisão, mas não agendou reuniões com o governo Lula, como declarou que faria ao solicitar a entrada. A declaração oficial de Beattie ao Consulado Brasileiro em Washington foi considerada de má-fé e motivo suficiente para o cancelamento do visto pelo governo Lula.
De modo velado, Flávio se queixou que o governo Trump tenha revogado uma série de medidas contra o Brasil anunciadas em julho do ano passado, como o tarifaço de 50% e as sanções financeiras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As medidas foram o resultado de uma campanha de Eduardo e Figueiredo junto a Washington para tentar levar o Brasil a oferecer anistia a Bolsonaro. Mas acabaram desfeitas depois que o embaixador dos EUA, Richard Grenell, então enviado presidencial para missões especiais, atuou nos bastidores para aproximar os dois presidentes. O movimento surpreendeu —e irritou— os bolsonaristas.
"Eu entendo que o Presidente Trump está incrivelmente ocupado 'Fazendo a América Grande Novamente' e deve manter relações institucionais com líderes de todos os países (...). E sei que às vezes, quando cercado por conselheiros com seus próprios interesses, o quadro fica confuso. Mas estou confiante de que o maior negociador da história [Trump] pode facilmente ver quem são seus verdadeiros aliados do Brasil", disse Flávio em uma alfinetada em Grenell.
Curiosamente, Grenell foi uma das poucas figuras de maior vulto no entorno de Trump que Flávio encontrou na CPAC. O presidenciável tinha a expectativa de deixar o evento com uma foto ao lado de Trump, mas em meio à guerra com o Irã, o republicano se ausentou da conferência pela primeira vez em dez anos. Além do próprio presidente, também faltaram o vice, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
O UOL apurou que o contato de Flávio e Grenell foi amistoso e que o americano teria perguntado se Flávio iria mesmo nomear o irmão Eduardo como chanceler, caso vencesse as eleições. Depois do encontro, Grenell disse ao UOL que o Brasil é "um país grande demais para ser ignorado pelos EUA, não importa quem esteja no poder", e que ele inclusive defende que o "país seja incluído como membro-permanente do Conselho de Segurança da ONU", um pleito histórico da diplomacia brasileira que Washington jamais endossou efetivamente.
Apesar da crítica a Grenell e da atuação em favor da designação de CV e PCC como terroristas pelos EUA, Flávio negou que esteja em busca de interferência dos EUA na próxima eleição presidencial e acusou o governo de Joe Biden de ter atuado em favor de Lula em 2022.
Na ocasião, Washington deixou claro a Bolsonaro que não concordaria com uma tentativa de ruptura democrática, diante das ameaças explícitas do então presidente de não aceitar o resultado das urnas eletrônicas, que ele acusava, sem provas, de serem fraudadas. E Biden reconheceu o resultado menos de uma hora depois da proclamação do vencedor pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2022.
"Precisamos de eleições livres e justas. E este é o grande desafio. Se nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer", disse Flávio, ressoando as acusações do pai ao sistema eleitoral e a crítica à derrubada pela Justiça de conteúdos de redes sociais considerados como fake news.
"Meu apelo aqui, não apenas aos Estados Unidos mas ao mundo livre inteiro, é este: observem a eleição do Brasil com enorme atenção. Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente", disse Flávio, sem especificar a que tipo de "pressão diplomática" se referia. Eduardo disse ao UOL há dois dias que tem pedido pela retomada da Magnitsky e por mais restrições de vistos a autoridades brasileiras que atuem como "censores", nas palavras dele.
Flávio encerrou a intervenção, salpicada de referências religiosas, prometendo que estaria de volta ao palco da CPAC no ano que vem, mas como presidente do Brasil. "Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo? Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. E os EUA também terão seu aliado de volta", afirmou, prometendo construir a "maior aliança conservadora do continente" na história caso seja eleito.
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Petrucio Joao da Silva
Os caras pedem que haja intervenção de agentes estrangeiros nas eleições brasileiras, manipulação organizada, sem qualquer filtro, sao todos lesa patria
Oswaldo Aparecido Valentim Barbosa
Esse rapaz fará eu votar na M do PT novamente !
Ernesto Freire Pichler
A direita mente descaradamente. E usam milhões de dólares para apoiar suas mentiras. Fazem acusações sem provas, o que é crime.
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