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Destino dos condenados do 8/1 no Brasil pode espelhar os de 6/1 nos EUA?

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28.03.2026

Destino dos condenados do 8/1 no Brasil pode espelhar os de 6/1 nos EUA?

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"Paguem os nossos anistiados do 6 de janeiro", dizia a placa escrita pelo texano Guy Reffitt, de 53 anos, quatro deles gastos em prisões em ao menos cinco estados dos EUA, após sua condenação por ter participado do protesto que incluiu a invasão do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2021.

Pelos corredores do Gaylord Texan Resort, em Dallas, Texas, onde acontecia a maior conferência conservadora do mundo, o CPAC, ele recebia cumprimentos e palavras de encorajamento. "Eu apoio sua causa, temos que pagar", disse uma senhora que interrompeu rapidamente minha conversa com Reffitt, apenas para apertar sua mão.

A história é bem conhecida: em 6 de janeiro de 2021, milhares de trumpistas irromperam por portas e janelas do Capitólio para tentar impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais do ano anterior, citando fraudes que nunca foram comprovadas judicial ou administrativamente.

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O que se seguiu foi a condenação de 1.270 pessoas por atos como "vandalismo" e "terrorismo doméstico" até o início de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca. No primeiro dia do novo governo, o republicanos perdoou Reffitt e mais 1,5 mil pessoas, condenadas ou indiciadas. A anistia era uma promessa de campanha do republicano - mas agora pode não ser o bastante.

Reffit segue trumpista e cético sobre a lisura do processo eleitoral, mas diz que pouco além disso sobrou na sua vida desde aquele 6 de janeiro. "Eu perdi minha carreira, minha casa, minha caminhonete. Quando sai da prisão, tudo o que tinha sobrado para mim e minha família era um carro. Não é justo que eu tenha que reconstruir tudo isso sozinho", diz Reffitt, que antes trabalhava na indústria petrolífera e agora tenta se estabelecer como técnico em telecomunicações. Agora, ele - e outros condenados pelo 6 de Janeiro - demandam indenização do governo que pode atingir valores milionários nos EUA.

Com dois anos de atraso, o Brasil repetiu com precisão o roteiro visto nos EUA. Em 8 de janeiro de 2023, milhares de bolsonaristas invadiram e vandalizaram os prédios da Praça dos Três Poderes em protesto por supostas fraudes eleitorais - jamais comprovadas - que teriam removido Jair Bolsonaro do Planalto e entregado o poder a Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu simplesmente amei quando eu vi isso pela TV, da prisão, porque os brasileiros aqui nos EUA fizeram vigília por mim e outros presos do 6 de janeiro", diz Reffitt, deixando claro a proximidade entre as direitas dos dois países. "E agora, como nós, eles devem receber anistia e também compensação financeira porque é errado que sejamos punidos por lutar pelo nosso país, pelo que acreditamos", opina.

Até janeiro de 2026, quase 1,4 mil pessoas tinham sido condenadas por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e dano ao patrimônio público em conexão com os atos de 8 de janeiro no Brasil. Mas o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) promete que, se vencer as eleições em outubro, dará anistia a todos eles, incluindo o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.

A pauta é urgente para parte dos brasileiros presentes no CPAC, como o ex-deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, condenado a pouco mais de 16 anos de prisão por organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Ele hoje vive em Miami com a mulher e as duas filhas do casal, e é considerado foragido do Brasil. No CPAC, ele se esforçava para entrevistar figuras da direita brasileira para o canal de Youtube Timeline, no que chamou de uma tentativa de "iniciar uma carreira de repórter". Com as contas bloqueadas no Brasil, busca alternativas financeiras, mas disse que teria direito a seu posto como concursado público de volta.

Ramagem não aceitou me dar entrevista, então, não foi possível saber se, além de anistia, ele cogitaria pedir indenização, mas não é difícil imaginar que os passos do texano Reffitt sejam reproduzidos por pés brasileiros a partir do ano que vem, se Flávio Bolsonaro chegar ao Planalto.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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