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Antes de atacar Irã, Trump ouviu de genro que só teria 'acordo tipo Obama'

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04.03.2026

Antes de atacar Irã, Trump ouviu de genro que só teria 'acordo tipo Obama'

Horas antes de ordenar ataques ao Irã, o presidente Donald Trump ouviu de seu genro e negociador para o Oriente Médio, Jared Kushner, que, se mantivesse as tratativas diplomáticas, poderia obter um "acordo tipo Obama" —mas não o tipo de entendimento que desejava, segundo um alto funcionário da administração.

O diagnóstico de Kushner não era trivial. Trump classificou como "o pior acordo da história" o pacto fechado com Teerã em 2015 por seu antecessor democrata, Barack Obama. Nele, os iranianos se comprometiam a limitar o programa nuclear e permitir inspeções internacionais em troca do alívio de sanções dos EUA.

Ao assumir a Presidência, em 2017, o republicano retirou os EUA do acordo e retomou as sanções, e o Irã voltou a enriquecer urânio. Para ele, o pacto deu à República Islâmica tempo e recursos para avançar rumo à bomba. Críticos afirmam que Trump esvaziou a via diplomática e reduziu a capacidade internacional de monitorar o que ocorria no país.

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Nesta segunda (2), Trump se disse "muito feliz de ter derrubado o horrível acordo nuclear" de Obama, sob o qual, segundo ele, os iranianos já teriam obtido a bomba atômica "há anos".

"Essa foi a transação mais perigosa em que a gente já entrou e se eu a tivesse deixado em pé, o mundo seria um lugar completamente diferente", disse Trump sobre a negociação entre Washington e Teerã fechada há 11 anos.

Kushner e Steve Witkoff, enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, tiveram ao menos quatro conversas, em dois meses, com representantes do então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado (28), dia em que Israel e EUA lançaram a ofensiva Fúria Épica.

A última dessas conversas aconteceu em Genebra (Suíça), no dia 26, com mediação do governo de Omã.

Segundo autoridades da Casa Branca, em relato acompanhado pelo UOL, os dois passaram a avaliar após o último encontro que Teerã usava as negociações "para ganhar tempo" e recorria a testes de medicina nuclear para encobrir a busca por reatores aptos ao enriquecimento de urânio para fins militares.

Considerando as centrífugas nucleares que o país poderia obter, os dois negociadores de Trump afirmaram ao presidente que os iranianos não teriam grandes obstáculos para obter armas nucleares.

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Sem formação em tecnologia nuclear, Witkoff e Kushner admitiram ter entendido pouco dos documentos —inclusive gráficos— apresentados pelos iranianos sobre o programa atômico. Segundo ambos, o material não pôde ser levado à CIA (a Agência de Inteligência Central), em Washington, para análise.

Autoridades americanas minimizaram a falta de expertise dos negociadores e atribuíram o impasse à percepção de má-fé dos iranianos e à resistência em aceitar os termos de Washington.

A proposta previa que o Irã abandonasse totalmente a produção de combustível nuclear. Em contrapartida, os EUA garantiriam o fornecimento permanente e gratuito. A resposta foi a defesa do direito soberano ao programa —vista pelos americanos como "provocação"

Os negociadores iranianos também se recusaram a manter as instalações nucleares na superfície —e não em áreas subterrâneas, como acontecia até o ano passado— dado o risco de bombardeio.

"Se não pretendem fazer nada errado, não deveriam estar preocupados com risco de ataque", afirmou um alto oficial americano. "Aquilo cheirou mal e foi reportado ao presidente, que tomou sua decisão".

Trump voltou ontem a afirmar que liderou a decisão de atacar o Irã, após Marco Rubio indicar que os EUA entraram no conflito depois da ofensiva israelense e diante do risco de retaliação contra bases americanas na região.

Segundo o presidente, sua decisão foi tomada por que ele sentiu que um ataque iraniano aos EUA era "iminente". Trump precisa de um discurso que lhe dê tanto sustentação legal quanto sustentação na opinião pública para as ações, já que prometeu mais ataques militares nos próximos dias.

Até ontem, os negociadores não haviam restabelecido contato —por telefone ou mensagem— com autoridades iranianas como Ali Larijani ou o aiatolá Alireza Arafi. Teerã disse não ver "sentido" em negociar agora.

Fontes da Casa Branca, no entanto, afirmaram ao UOL que já existe um programa de alívios de sanção pronto para ser ofertado quando se constituir "um novo governo que queira colaborar".

Para o governo Trump, colaborar significa encerrar o programa nuclear, interromper a atuação de milícias aliadas do Irã no Oriente Médio e cessar qualquer financiamento a grupos terroristas.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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