'Tropa' e 'general': Eduardo rebate Michelle sobre candidatura de Flávio |
'Tropa' e 'general': Eduardo rebate Michelle sobre candidatura de Flávio
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) admite que ele e o irmão —o presidenciável e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)— esperavam a oportunidade de fazer uma foto ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, amanhã (28).
Ambos discursarão na conferência conservadora CPAC, em Dallas, no Texas, nesta que será a terceira passagem de Flávio pelos EUA em 2026. Mas a foto —ou uma declaração de apoio do republicano— não acontecerá porque, pela primeira vez em uma década, Trump não falará diante da plateia de apoiadores Maga ("Make America Great Again", ou "Faça a América Grande Outra Vez").
"Mas ele confirmou que não vem? Tô sabendo agora", disse Eduardo à coluna, surpreso.
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"É sempre bom encontrá-lo [Trump]. Mas, ele, poxa, está em meio a uma guerra com o Irã, os Estados Unidos são um país em guerra. Certamente é um assunto mais prioritário", afirmou ao UOL, no corredor do Gaylord Resort, onde acontece o evento.
Em pouco mais de 20 minutos, Eduardo falou sobre temas como a tentativa de os EUA retomarem a sanção ao ministro do STF Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky e provocarem outras punições a autoridades brasileiras, caso elas tentem "censurar as redes sociais" durante o período eleitoral.
Réu no Supremo em um processo por tentativa de coação de autoridades por sua atuação em Washington, o ex-deputado federal disse que vê o presidente Lula (PT) "buscando conflito com Trump para, assim, tentar aumentar seus números eleitorais", ao sair em defesa da pauta da soberania.
Acerca do racha na família provocado pela escolha de Flávio como presidenciável pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), Eduardo argumenta que a decisão não tinha que passar pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. "Em governo é assim, todo mundo fica chateado. Um partido é uma hierarquia. Tem que ter general, coronel, a tropa ali embaixo."
Ladeado por figuras da direita brasileira, como o ex-secretário de Cultura e deputado federal Mário Frias (PL-SP), a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) e o ex-diretor da Abin e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), considerado foragido nos EUA após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, Eduardo tirava fotos e atendia a políticos e simpatizantes brasileiros e estrangeiros. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.
Eduardo tem dialogado com o Departamento de Estado norte-americano e a Casa Branca para que Trump classifique o CV e o PCC como organizações terroristas. A medida, já aplicada a cartéis de outros países latinos, sofre oposição do governo brasileiro, que vê nela uma interferência na soberania nacional.
Eduardo disse querer debater o tema com Sara Carter, diretora antidrogas da Casa Branca, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
A articulação ganhou força após o evento "Escudo das Américas", que reuniu Trump e 12 líderes latinos de direita em Miami, em 7 de março. Eduardo pediu apoio às equipes de Javier Milei, José Antonio Kast e Nayib Bukele. No dia seguinte, o chanceler Mauro Vieira pediu a Rubio que adiasse a classificação até uma conversa entre Lula e Trump.
"Não sei em que termos eles falaram. Repare só: sábado é feito o evento com os presidentes de direita [da América Latina] e Trump na Flórida. Domingo, o chanceler [Mauro Vieira] para tudo o que está fazendo para ligar e pressionar Marco Rubio a não designar PCC e CV como organizações narcoterroristas. A quem serve esse governo?", diz Eduardo.
Sobre o risco de a medida atrair ataques militares americanos ao Brasil, ele minimizou: "O Brasil tem número de homicídios de países em guerra. O brasileiro deve concordar que não está funcionando muito essa estratégia de quase duas décadas de PT, do Lula, de dar uma vida boa para esses bandidos. Eu faria essa parceria".
Segundo ele, "o que o Trump está querendo oferecer é equipamento, inteligência". "É claro que vai haver um debate com relação à soberania, a esquerda vai querer explorar esse ponto, mas, para a gente impedir que os brasileiros sejam assassinados e o bandido vá tomar cervejinha, vale muito a pena fazer essa parceria", completou.
Questionado se a pressão de Vieira mudou a posição de Rubio, limitou-se a dizer: "Não falo pelo governo norte-americano".
Procurada, a secretaria de Comunicação do governo Lula não respondeu aos comentários de Eduardo Bolsonaro. O espaço segue aberto.
Eduardo reconhece que sua campanha nos EUA por punições ao Brasil ajudou a popularidade de Lula em 2025. O petista adotou o discurso de soberania após Trump lançar, em julho, tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e sanções a ministros do STF e do Executivo.
"Lula está tentando provocar o Trump para iniciar um conflito e depois tentar aumentar seu capital político, dizendo-se um defensor da soberania brasileira. Não vai colar. A oscilação [nas pesquisas] passa longe de ser suficiente para ele ganhar", afirmou Eduardo, que cita o caso da recente cassação do visto do funcionário do Departamento de Estado Darren Beattie como um exemplo dessa estratégia.
Atualmente, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico nas pesquisas, e o governo brasileiro teme interferência de Trump via big techs.
Para Eduardo, a verdadeira interferência ocorreu em 2022, sob Joe Biden, quando autoridades norte-americanas teriam pressionado o governo Bolsonaro a reconhecer o resultado eleitoral. Naquele ano, a Casa Branca reconheceu a vitória de Lula menos de uma hora depois da proclamação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Eduardo diz ter diálogo frequente com autoridades dos EUA sobre o ambiente online brasileiro para convencê-las a atuar contra restrições nas plataformas. "O ponto mais sensível é que 65% dos nossos eleitores de direita se informam através das redes sociais. Então, se nós formos censurados, certamente será um golpe muito difícil durante a eleição", afirma o ex-deputado, citando decisões do STF nas últimas eleições.
"O presidente dos Estados Unidos representa o interesse dos norte-americanos. As maiores empresas de rede social são as chamadas big techs dos EUA: Google, YouTube, Twitter, Tinder, Meta, Facebook, Instagram. Essas empresas sofrem quando há intervenção, por exemplo, como em 2022, com o Alexandre de Moraes abusando de seu poder. Então, por óbvio, tem que ter um trabalho contra a censura para preservar o interesse dessas empresas no Brasil", diz, sobre a exclusão de conteúdos e contas de direita.
Questionado sobre medidas de Trump para preservar "os interesses das big techs", Eduardo diz: "ele poderia sancionar as autoridades [brasileiras] que estavam fazendo a censura, né?"
"Ele poderia estender a revogação de vistos, uma política já declarada pelo Marco Rubio, de não admitir censores de norte-americanos para virem aqui desfrutar da democracia norte-americana. Ele tem alguns instrumentos à mesa para utilizar e pressionar o governo brasileiro", diz, citando medidas de Trump em 2025.
"Bati muitas palmas quando foram revogados os vistos, inclusive de juízes da Suprema Corte brasileira, porque são notoriamente censores. Ainda mais o [Luís Roberto] Barroso, quando ele pediu para sair, porque não aguentava mais essa pressão", afirma Eduardo, mencionando a aposentadoria precoce de Barroso do STF.
Eduardo não se limita a buscar restrições de vistos: diz que segue tentando desfazer a revogação da sanção Magnitsky contra Moraes, em dezembro de 2025, depois que Lula e Trump estabeleceram uma relação amistosa.
"Com certeza [sigo pedindo]. A justificativa oficial foi que, por razões de interesse da política norte-americana, eles levantaram a Magnitsky", diz Eduardo. "Assim como saiu pela vontade do presidente, basta Donald Trump querer que ela retorne. E eu tenho pedido seu retorno."
Eduardo tenta minimizar a desavença familiar gerada pela escolha do pai por Flávio como candidato à Presidência. O UOL apurou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se ressentiu por não ter sido avisada da decisão. Michelle deve ser candidata do PL ao Senado pelo Distrito Federal.
"Ela está no PL Mulher, é uma candidata forte ao Senado pelo Distrito Federal e deve ser respeitada. Se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, é sentar para conversar e se entender. A decisão para a Presidência feita por Jair Bolsonaro não tinha, essencialmente, que passar por ela. Um partido é uma hierarquia. Tem que ter general, coronel, a tropa ali embaixo", afirma Eduardo.
Em prisão domiciliar, Bolsonaro deve ter atuação assídua na campanha de Flávio. "Certamente o Bolsonaro continua sendo o líder da direita", diz Eduardo. A organização da CPAC qualificou o ex-presidente como "preso político".
Eduardo não aponta um vice para a chapa do irmão nem confirma se será chanceler num eventual governo Flávio. Na economia, cita inspiração nas reformas do Paraguai. Integrantes da equipe do ex-ministro Paulo Guedes, como Adolfo Sachsida, têm formulado o plano econômico de Flávio.
Ronaldo Caiado x Eduardo Leite
Com o anúncio da desistência do governador Ratinho Jr., do Paraná, de lançar candidatura à presidência pelo PSD, Eduardo vê caminho livre para o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se consolidar como o presidenciável do partido de Gilberto Kassab — e discorda da avaliação de que Caiado divida os votos da direita.
"É mais um no debate para elogiar Lula", diz, com ironia, sem esconder que vê em Caiado uma linha auxiliar a Flávio.
Instado a comparar o governador com o Padre Kelmon, candidato do PTB em 2022, que atuou como escada para Bolsonaro, Eduardo ri. "Ele é uma boa pessoa, mas não era um governador. Caiado pontua mais que ele nas pesquisas. Então, o nível da pancada do Caiado, com todo respeito ao Padre Kelmon, é muito maior."
Questionado se já existe algum acerto com Caiado para que ele assuma algum posto em um eventual governo Flávio Bolsonaro, Eduardo elogia a gestão do governador em segurança pública, mas desconversa sobre o futuro.
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Claudio Bertolaso do Valle
Os dois viralatas do clã Bolsonaro, mostrando-se patriotas dos EUA, estarão na conferência do MAGA, abanando o rabo para os USA. Traidores do Brasil querem submeter a patria brasileira O domínio dos EUA.
O fujão banana, vai ver o papai apodrecer de longe, sem despedida!!
E dá palanque pra um ser desse, pra que?
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