Vladimir: é um casamento aberto ou direito de lavar roupa de dois caras? |
Vladimir: é um casamento aberto ou direito de lavar roupa de dois caras?
"Eu e John sempre tivemos um acordo. É o que os jovens chamam de casamento aberto, mas sem o drama da comunicação", diz a protagonista de "Vladimir", série da Netflix estrelada por Rachel Weisz. A personagem não tem o nome completo, só a letra M., e está vivendo o drama de um escândalo sexual na universidade onde trabalha. Seria corriqueiro se o acusado não fosse seu marido John (João Slattery), que teve diversos casos com alunas e essas, anos depois, resolveram denunciar a conduta.
A traição não está em pauta — M. realmente não se importa com o fato dele ter ficado com tantas meninas — mas, sim, o impacto (financeiro inclusive) de uma provável expulsão da instituição. Ela quer ajudar o marido para evitar esse baque. Paralelamente, percebe um certo desprezo das colegas e alunas que acham que ela também deveria se colocar como vítima para apoiar as denunciantes.
M. não se vê como vítima e tem dificuldade de identificar como violência a relação de poder de John sobre as garotas jovens. "O prazer delas não se deu APESAR da dinâmica de poder e sim POR CAUSA disso", ela frisa, citando o jogo sexual de uma universitária em conquistar um homem mais velho. Um jeito antigo de pensar, mas difícil de se dissipar da personalidade de quem (como ela, com mais de 50 anos) foi criada sob o machismo institucionalizado. Desconstruir-se, porém, é mandatório, ainda mais trabalhando com........