Pedido de bolsonarista na CPMI do INSS é só para gerar material de campanha
Pedido de relator bolsonarista é só para gerar manchetes para a campanha
Ao pedir a prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, dois dias após se filiar ao PL de Alagoas sob a justificativa de que estava "atendendo a uma convocação" de Flávio Bolsonaro, o deputado federal Alfredo Gaspar deixou claro que seu relatório final da CPMI do INSS não mira apenas os fatos, mas também as urnas.
A investigação sobre o INSS é essencial para punir quem saqueou aposentados e pensionistas em todo o país. Tinha potencial, inclusive, de chacoalhar parte do sistema financeiro, que fez festa com o dinheiro de gente pobre por meio dos consignados. Mas, em ano eleitoral, o roteiro se repete: o combate à corrupção vira ferramenta para atingir adversários políticos.
Fábio Luís precisa, sim, dar explicações sobre as suspeitas de envolvimento com personagens-chave do escândalo, investigado pela Polícia Federal. E, se tiver responsabilidade, deve responder como qualquer cidadão, sem blindagem, sem privilégio, levando cana e perdendo grana.
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Mas o pedido de prisão preventiva, no caso, parece cumprir outra função. Ao alegar risco de fuga de alguém que vive no exterior há meses e que se colocou à disposição das autoridades brasileiras, a medida soa menos como instrumento jurídico e mais como combustível para manchetes. Entre os indiciados, há nomes com justificativas mais robustas para prisão que não tiveram, mas como não tiveram o mesmo valor eleitoral, passaram incólumes.
O contexto ajuda a entender. A mudança de Gaspar para o PL, acompanhada de declarações de lealdade ao projeto do filho de Jair Bolsonaro, não é detalhe, mas chave de leitura. Ainda assim, parte da cobertura da imprensa prefere ignorar esse pano de fundo, como se decisões políticas surgissem no vácuo.
O que deveria ser um instrumento para reparar injustiças virou mais um capítulo da disputa eleitoral travestida de combate à corrupção. Quando a régua muda conforme o sobrenome ou o palanque, não é a Justiça que avança, mas a desconfiança que cresce.
Transformar relatório de CPMI em peça de campanha não ajuda a esclarecer os fatos nem a punir quem realmente lucrou com o sofrimento de aposentados. Quantos figurões de grandes bancos que lucraram com consignados tiveram o mesmo rigor?
No fim, o cálculo é simples: gerar manchetes hoje para colher dividendos políticos amanhã. E, enquanto isso, o essencial segue em segundo plano, responsabilizar todos os envolvidos, sem distinção. Porque, no Brasil, a ética continua sendo tratada como algo que pode esperar o fim das eleições.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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