O que Moraes e Nikolas têm em comum? Jatinhos de empresa de Vorcaro |
O que Moraes e Nikolas têm em comum? Jatinhos de empresa de Vorcaro
No Brasil polarizado, há coisas que parecem não atravessar a ponte entre lados opostos. Mas às vezes atravessam — e de jatinho. Alexandre de Moraes, ministro do STF, e Nikolas Ferreira, deputado federal, têm pouco em comum na atuação pública. Na tentativa de golpe, ficaram em posições opostas. Mas, quando o assunto sobe aos céus, a distância encurta.
Ambos, em momentos diferentes, voaram em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E não é só isso: as explicações apresentadas por cada um para esses voos também se parecem mais do que o esperado.
Reportagem de Lucas Marchesini e Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo, aponta que, no caso de Moraes, documentos indicam que ele e sua esposa, Viviani Barci de Moraes (que conta com um contrato multimilionário com o banco Master) utilizaram, ao menos oito vezes, jatos de empresas ligadas a Vorcaro, sendo sete deles da mesma operadora: a Prime Aviation.
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A justificativa apresentada segue um roteiro técnico: contratação de serviços de táxi aéreo, sem vínculo com proprietários das aeronaves ou presença deles e com critérios meramente operacionais. Nada pessoal, apenas logística.
Já reportagem de Johanns Eller, na coluna de Malu Gaspar, em O Globo, mostrou que Nikolas Ferreira também voou em um jatinho de empresa ligada a Vorcaro, em caravana por menos nove estados e no Distrito Federal, no segundo turno da campanha eleitoral de 2022. O deputado frequenta a igreja Batista Lagoinha, na qual o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, era pastor. Zettel foi preso em meio às investigações da Polícia Federal devido aos desvios no banco.
O deputado disse que não sabia quem era o dono da aeronave operada pela Prime e que participou dos voos por convite, sem qualquer relação com o empresário ou seus negócios. Nada pessoal, apenas circunstancial.
Em ambos os casos, a linha de defesa converge: desconhecimento do proprietário, ausência de vínculo e normalidade no uso do serviço. A aeronave vira apenas um meio impessoal. Tal qual pegar um Uber.
No fim das contas, o que une Moraes e Nikolas não foi uma visão de país, mas algo mais prosaico. Num país em que as narrativas são sempre antagônicas, até adversários compartilham justificativas que parecem voar na mesma altitude: técnicas, distantes, despersonalizadas. Como se, lá em cima, longe do barulho da política, tudo fosse apenas uma questão de logística. Ou de conveniência.
Entre as opções, não bastam massa, carne ou frango, mas a sociedade espera que sejam servidas boas explicações e investigação.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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