Delação de Beto Louco vai entregar lavandeiras do PCC na Faria Lima?

Delação de Beto Louco entregará as lavandeiras do PCC na Faria Lima?

O empresário conhecido como Beto Louco entregou sua proposta de delação premiada ao Ministério Público de São Paulo, propondo-se, segundo Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a relevar nomes de funcionários públicos e magistrados de São Paulo envolvidos nos crimes de fraude, sonegação e lavagem de grana revelados pela operação Carbono Oculto.

Ótimo! Mas tal qual a delação de Daniel Vorcaro não estará completa se apontar apenas para políticos e magistrados que locupletaram com o Banco Master, a de Beto Louco também será seletiva se deixar de fora quem foram os bancos, financeiras e gestores de fundos que ganharam muito dinheiro com os esquemas.

E aqui não faz diferença se era cegueira deliberada ou apoio consciente. Até porque a estrada para o inferno esta asfaltada com frases "eu não sabia".

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Distribuidoras de combustíveis e fundos de investimentos fariam parte de um esquema para lavar dinheiro sujo do PCC. Um vende gasolina batizada, outro transforma grana safada em dinheiro santo. Por exemplo, a Polícia Federal aponta que fundos gerenciados pela Reag (envolvida na esbórnia do Banco Master e que foi liquidada pelo Banco Central) recebeu aportes bilionários ligados à facção criminosa.

Os indícios de operação para o PCC que temos visto graças à Carbono Oculto é um retrato do que acontece quando parte do sistema financeiro acha que o Brasil vive sob o caos de um programa de auditório dominical e decide operar no modo "topa tudo por dinheiro". Alguns na Faria Lima insistem em tratar isso como ousadia empreendedora, o que frequentemente acaba se confundindo com negligência lucrativa.

Quando o dinheiro sujo circula de terno e gravata, parte do mercado finge não reconhecer o cheiro. Bancos e instituições mais responsáveis rompem relações com empresas ao perceber inconsistências ou nem aceitam fechar negócios, não porque são bonzinhos, mas porque sabem o BO que isso traz. Para muita gente, contudo, o risco sistêmico e até criminal parecem aceitáveis desde que renda gorda comissão. Ou, pior: esses riscos deixam de existir diante da percepção de que gente rica com amigo$ não vai presa.

Há quem tente reduzir o episódio a um problema técnico ou a uma falha pontual de compliance já resolvida em acordo administrativo com o Banco Central. É uma leitura conveniente, mas perigosa. Porque ignora o padrão. E porque reforça a ideia de que, no Brasil, crimes financeiros só são realmente punidos quando cometidos por quem não frequenta os eventos, jantares e seminários corretos.

Se a delação de Beto Louco e de Daniel Vorcaro pretendem de fato contribuir para desmontar o esquema, ela precisa ir além dos alvos mais visíveis e politicamente convenientes. Transparência seletiva não combate crime, mas apenas reorganiza o silêncio. O país já conhece o roteiro que alguns pagam, outros seguem operando, por isso merece outor fina desta vez. Haverá disposição para encarar toda a cadeia, do caixa 2 ao terno caro, ou mais uma vez a Justiça vai parar na porta giratória dos mesmos de sempre.

Por fim, bora acompanhar quanto Beto Louco vai ter que devolver aos cofres públicos para essa delação ser aceita. Tal qual com Vorcaro, seria didático se ele fosse obrigado a trocar os carros de luxo pelo bilhete único.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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