BC só salvou parte do banco ligada ao PT, diz mediador de compra do Master |
Quando enviou para o Banco Central o documento da compra do Master pelo grupo financeiro Fictor, em 17 de novembro de 2025, Antônio Marques de Oliveira Neto sabia que seria o novo CEO (presidente executivo) do banco se o negócio de R$ 3 bilhões fosse aprovado. Substituiria Daniel Vorcaro, o então presidente, o qual deixaria a instituição que havia criado em 2019 ao adquirir o Banco Máxima.
Formado em administração de empresas pela FGV (Fundação Getulio Vargas), com passagens por bancos como J.P. Morgan, Santander Brasil e HSBC, Oliveira Neto, hoje com 48 anos, é dono da assessoria financeira 369 Capital e havia sido contratado por um grupo de investidores árabes ligados ao Fictor — cujos nomes continuam em segredo — para intermediar a compra do Master.
Tendo trabalhado no Máxima entre 2017 e 2019, o executivo seguiu fazendo negócios com o banco e passou a conversar com Vorcaro com mais frequência quando, em nome de outro grupo de investidores árabes, começou a negociar a compra do braço de investimentos do Master, em outubro de 2025. Foi o próprio Vorcaro, naquela época, que aproveitou as negociações e lhe pediu que buscasse interessados em adquirir o banco inteiro.
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Para levar adiante a transação, Oliveira Neto diz ter vasculhado toda a carteira de crédito do Master, sem encontrar qualquer sinal de fraude. Agora, ele critica o BC por ter tornado inevitável a queda do Master ao autorizar, em julho de 2025, a cisão do departamento de crédito consignado, o Credcesta, que acabou sendo incorporado pelo Banco Pleno, de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master.
O ex-futuro-novo-presidente do Master afirma, sem dar detalhes, que Lima é ligado ao PT e acabou ficando com a parte mais lucrativa do banco, enquanto o Master virou um "zumbi". Sem a "vaca leiteira" do consignado, o banco só ganhava dinheiro com a compra e venda de carteiras de crédito geradas por terceirizadas como a Tirreno e a Cartos, algo que antes era feito pelo próprio banco. Os investidores árabes que acertaram a compra do Master tinham planos de retomar esse negócio, mas não deu tempo: sem dinheiro no caixa para seguir operando, o banco acabou sendo liquidado pelo BC após a descoberta de uma fraude de, ao menos, R$ 12 bilhões em créditos podres vendidos ao BRB (Banco de Brasília).
Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Oliveira Neto à coluna. Procurado para comentar as alegações do executivo, o BC não respondeu até a publicação deste texto. O banqueiro Lima, do Credcesta, não quis comentar.
Se o BC aprovasse a venda do Master para o Fictor, você seria o presidente?
Assinamos o documento de compra do banco no dia 17 de novembro [de 2025] às 15 horas, na sede [do Master], em São Paulo. Na sequência, o Daniel [Vorcaro] ligou para o Ailton Santos [diretor de fiscalização do BC] para explicar a venda e dizer que estava indo para Dubai. O Bellini [Santana, chefe do departamento de Supervisão, hoje afastado do cargo em meio a investigação interna aberta pelo BC sobre o caso] também estava na linha.
Naquele momento,........