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Pergunta a Hulk sobre Neymar incomoda, mas foi correta e bem feita

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12.04.2026

Pergunta a Hulk sobre Neymar incomoda, mas foi correta e bem feita

A polêmica da vez é a pergunta do repórter Guto Rabelo, no Sportv, a Hulk, após a derrota do Atlético para o Santos, sábado, na Vila. "Pelo que você representa no futebol brasileiro... você viu o Neymar jogando hoje, é teu amigo. O que você achou do Neymar? E deve ir para a Copa?" Hulk poderia ter respondido qualquer coisa. Que deve ir, que não deve ir. Acabou sendo ultraelegante e dizendo "peço desculpas, mas estava preocupado com o jogo... todo mundo sabe da qualidade do Neymar, não sou eu que tem que dizer se tem que ir ou não tem que ir. Tem que ir quem é merecedor, se for merecedor com certeza vai estar".

No meu ponto de vista, está tudo absolutamente certo e dentro do esperado. Eu até entendo que pessoas que não queiram o Neymar na Copa se sintam incomodadas com uma espécie de "campanha" que estamos vendo. A campanha, está claro que existe por parte do grupo Globo. Não sei se é uma campanha organizada de cima para baixo (não acredito) ou se apenas uma coincidência, de a grande maioria dos comentaristas da casa (quase todos ex-jogadores) acharem que Neymar deva mesmo estar na Copa. Mas que existe, existe.

Tem também a busca por engajamento. Hoje, infelizmente, a comunicação (chamarei assim, porque jornalismo é outra coisa) em redes sociais, seja tal comunicação feita por profissionais de mídia, seja ela feita por pessoas que nunca entraram em uma redação, por idade ou falta de oportunidade ou falta de capacidade, é feita com o puro propósito de gerar engajamento e audiência. Falem mal, falem bem, mas falem de mim, curtam, compartilhem. O compromisso com o cuidado é nenhum.

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Eu falo bastante de Neymar. Falo há muitos anos, porque ele é o jogador brasileiro mais relevante dos últimos 15 anos e é, também, um produto de marketing de inegável sucesso. Tem tanta coisa em volta de Neymar que o rapaz é um prato de cheio de assuntos. Neymar pode ser olhado pela ótica do futebol jogado, da relação jogador-treinador, pela ótica das decisões de carreira, das premiações individuais em um esporte coletivo, pela ótica parental, pelo ângulo do tempo livre e o que fazer com ele, da fragilidade intelectual da juventude milennial, até que ponto o que fazem celebridades é ou não relevante, do quanto marcas ajudam ou atrapalham um atleta e, claro, até mesmo do ângulo político, já que Neymar esteve bastante engajado em 2018, 2022 e possivelmente estará agora de novo.

Eu defendo a ideia de que Neymar fique fora da seleção desde que acabou a Copa do Mundo do Qatar. Que a seleção tivesse um ciclo inteiro sem ele e, se estivesse arrebentando nos seis meses anteriores à Copa , fosse chamado. No meu ponto de vista, o pacote Neymar não vale a pena. Ele não faz o suficiente no campo para compensar todo o negativo que traz a presença dele. Mas não é sobre isso o que quero falar.

O ponto é: Neymar é o debate mais quente da sociedade brasileira no momento. Logo logo, será Lula x família Bolsonaro. Mas, nos próximos dois meses, é Neymar. Este é um debate que ferve nos grupos de zap, nas mesas de bar, nos churrascos, nos bares, em qualquer lugar. Ele é um ótimo debate, porque essencialmente pode ser simplificado à valorização do indivíduo (quero sempre ter do meu lado quem é melhor, mesmo que não seja confiável) versus a valorização do coletivo e a tentativa de criar um trabalho de sucesso com participação de todos e esforço por cima do indivíduo.

Esse debate serve para um monte de coisas com as quais lidamos no dia a dia. Na escola, na universidade, na criação de filhos, no ambiente de trabalho, em empreendimentos, escolhas de sócios, nas escolhas que fazemos. Em algumas sociedades, este debate seria tão quente quanto é aqui no Brasil. Em outras, este debate seria simplesmente inexistente.

Aí chegamos à Vila Belmiro. Neymar jogou. E do outro lado estavam dois jogadores que ficaram muito marcados pela Copa do Mundo de 2014: Hulk e Bernard. Um era titular daquela seleção e foi um dos que pagaram o preço do 7 a 1. O outro era simplesmente o reserva de Neymar, machucado nas quartas de final. Para ambos, a pergunta era mais do que válida. Para o Moisés ou o Arana ou o Veríssimo ou o Victor Hugo ou para mim ou para você, seria absolutamente irrelevante.

Para o Hulk, no meu ponto de vista, era. Eu estaria orgulhoso se fosse o chefe do Guto Rabelo. Me importa pouco se a ideia foi dele ou se veio ordem de cima, como se especula, até porque "ordem de cima" ou "sugestão de cima" em uma transmissão vem de quem está comandando e isso faz parte do nosso universo. E mais: a pergunta foi muito bem construída. O tema pode até ser considerado deselegante. A pergunta, não foi. E jornalismo não é elegância, é informação, é relevância, é respeito, principalmente com a audiência.

Hulk poderia ter falado que Neymar tinha que estar na Copa ou que não tinha que estar ou fazer o que fez, sair pela tangente, também de forma muito respeitosa. Está tudo absolutamente certo e dentro do script. Um script que tem sido esquecido, já que a ideia dos tempos de hoje é ou lacrar ou se furtar. Quando o lugar ideal para todos nós é o do equilíbrio.

Algum torcedor do Atlético pode ficar chateado pela pergunta sobre Neymar justo após uma derrota. Eu entendo também. Mas o tema veio logo em seguida. E o repórter não está lá para agradar nem desagradar uma torcida, e, sim, para fazer jornalismo. Essa coisa tão incompreendida pela sociedade e que está virando coisa rara.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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