Árbitros de futebol enfrentam formação precária e ingerência das federações

POR ENRICO DI GREGÓRIO/ Revista Pesquisa FAPESP

Estudos evidenciam também a instabilidade profissional e a dificuldade de acesso para profissionais negros

Em 2025, 65% dos espectadores do Campeonato Brasileiro rejeitaram a arbitragem dos jogos. Eles apontaram problemas como falta de critérios (51%), de preparo técnico (34%) e de transparência nas decisões tomadas pelos juízes (32%), além de favorecimento de clubes (50%), segundo levantamento do instituto de pesquisa Atlas Intel divulgado em outubro.

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou em 2023 a construção de um centro de treinamento exclusivo para árbitros alegando restrições orçamentárias, embora tenha arrecadado mais de R$ 1 bilhão naquele ano. A obra era uma reivindicação da comissão de arbitragem da própria confederação, na época chefiada pelo ex-árbitro Wilson Luiz Seneme. Agora, a CBF volta a se movimentar, tendo criado um Grupo de Trabalho (GT) de Arbitragem em novembro para treinar, capacitar e contratar árbitros até o início de 2026 - uma antecipação do plano original, que tinha como prazo 2027.

Revisar as condições de formação e profissionalização dos árbitros no Brasil é uma demanda antiga, segundo Gabriel Correia, professor da Faculdade de Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF), campus de Macaé. Ele é o primeiro autor de um artigo publicado em 2024, na revista Organizações & Sociedade, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre a questão. O trabalho traz entrevistas realizadas por Correia com 21 ex-árbitros - 19 homens e duas mulheres - que atuaram entre os anos de 1960 e 2000 vinculados à Federação Mineira de Futebol (FMF).

No artigo, os pesquisadores destacam que a falta de preparo, a desarticulação da classe, a hegemonia de entidades, a falta de estrutura, a dupla jornada, a retaliação e a vulnerabilidade à violência estão entre os principais problemas da........

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