Lula lança pacote eleitoral para deter alarme da impopularidade

Lula lança pacote eleitoral para deter alarme da impopularidade

A seis meses do encontro dos brasileiros com as urnas, Lula cavalga a máquina governamental com rara desenvoltura. Sob os efeitos da guerra no Irã, tenta inverter os ponteiros das pesquisas que apontam a ascensão do rival Flávio Bolsonaro embrulhando um pacote de benesses ao eleitorado.

O governo abriu a semana com o anúncio de uma segunda rodada de medidas para atenuar os efeitos do conflito no Oriente Médio nos índices domésticos de inflação. Incluiu a subvenção ao diesel e ao gás de cozinha, além da isenção do PIS/Cofins sobre biodiesel e querosene de aviação. Combinadas com as medidas anunciadas no mês passado, o custo do "efeito Trump" foi orçado em R$ 31 bilhões.

Simultaneamente, o Ministério da Fazenda se equipa para cumprir a ordem de Lula de colocar em pé um programa de renegociação das dívidas dos brasileiros endividados. O governo negocia com os bancos uma rolagem das dívidas antigas. A ideia é conceder um desconto aos endividados. O saldo remanescente seria refinanciado com linhas de crédito escoradas pelo Fundo Garantidor de Operações, com juros mais baixos.

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O esforço para se manter eleitoralmente competitivo é inédito na trajetória de Lula. Nunca o morubixaba do PT chegou tão por baixo a uma campanha à reeleição. Obteve um segundo mandato a despeito do escândalo do mensalão. No final da sua segunda administração, com aprovação de 83% no Datafolha, eletrificou um poste, elegendo Dilma Rouseff. Quatro anos depois, impulsionou a recondução de sua pupila.

Ressuscitado pelas urnas de 2022, Lula reivindica agora um quarto mandato tendo como trilha sonora de sua campanha o alarme da impopularidade. Molha o paletó para evitar que Flávio Bosonaro lhe imponha o mesmo destino do pai, primeiro presidente da história a não obter a recondução ao Planalto desde a criação do instituto da reeleição, em 1997.

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