Xandão, os 'isentões' e os heróis de que o Brasil precisa

Diante da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de alguns seus aliados mais próximos pela suposta tentativa de golpe de Estado, bem como de centenas de cidadãos envolvidos no quebra-quebra de 8 de Janeiro, prosperou por aí a narrativa de que agora é hora de o STF (Supremo Tribunal Federal) voltar ao seu quadrado.

Impulsionada por "isentões", "moderados", sociais-democratas e tudo o mais que se enquadre no campo do chamado "centro democrático" e da centro-esquerda de plumagem tucana, tal narrativa escora-se na ideia de que, agora que o "bode" foi retirado da sala, a corte deve voltar a respeitar os ritos processuais, os códigos legais e a Constituição, atropelados em nome de uma alegada defesa da democracia.

De repente, com a maior cara lavada do mundo, essa turma —que por ódio a Bolsonaro e a sua tropa de choque uniu-se ao lulopetismo e passou pano para as arbitrariedades do ministro Alexandre de Moraes e de alguns de seus colegas do Supremo— resolveu navegar em raia própria e posar de paladina da legalidade. Age agora como se não tivesse sido cúmplice dos abusos em série cometidos pelos magistrados para extirpá-los da vida política nacional.

Daniela Lima

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Em meio à súbita guinada legalista desse pessoal, ganharam corpo também as críticas aos papéis de "salvadores da pátria" e "semideuses" que continuam a ser atribuídos a Xandão e a seus parceiros no STF pelo presidente Lula, pelo PT e por seus apoiadores.

Na ânsia de se afastar das arbitrariedades do Supremo aos 49 minutos do segundo tempo, como se diz no jargão do futebol, houve até quem afirmasse que "a democracia brasileira não precisa de heróis", parafraseando o personagem Galileu na peça homônima do dramaturgo marxista Bertolt Brecht, que a certa altura brada: "Pobre da nação que precisa de heróis".

A frase cunhada por Brecht, adaptada ao contexto atual do Brasil, pode até ter certo apelo. Realmente, com "heróis" como esses, que passam por cima das leis para perseguir uma corrente política da qual discordam, quem precisa de vilões hoje no país?

A questão não é que o Brasil não precise de heróis. O Brasil precisa de heróis, sim. A democracia brasileira, também.........

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