Resumo da ópera de Lula na Casa Branca: Trump foi um 'gentleman'
Resumo da ópera de Lula na Casa Branca: Trump foi um 'gentleman'
Se alguém ainda duvidava de que o presidente Lula é capaz de fazer o diabo para tentar recuperar a popularidade e vencer as eleições, seu encontro com Donald Trump na semana passada encarregou-se de dissipá-la.
Depois de passar meses detonando Trump —mesmo após o encontro em território neutro, na Malásia, em outubro— Lula foi beijar sua mão na Casa Branca. Da noite para o dia, deixou de ser o tigrão que vociferava contra o "satã americano", em defesa da tal "soberania nacional", e virou um gatinho ansioso por carinho diplomático.
Ao se dar conta de que o discurso "nacionalisteiro" poderia não render os votos desejados, Lula não hesitou em deixar para trás as bravatas anti-imperialistas, para tentar alavancar seu suposto papel de estadista pragmático, disposto a negociar qualquer coisa com qualquer um.
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Interessado também em tirar o monopólio das boas relações com Trump do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL e seu principal concorrente no momento, de acordo com as pesquisas, Lula foi do embolorado yankees go home dos anos 1950 para algo do tipo "juntos chegaremos lá".
Levou, porém, uma canseira de cinco meses de Trump para agendar a visita até que um ato informal de diplomacia resolvesse o que o Itamaraty não conseguia resolver. Segundo o noticiário, o empresário Joesley Batista teria ligado para Trump de seu próprio celular de dentro do Palácio da Alvorada, em Brasília, e colocado Lula na linha para falar com ele e marcar o encontro.
O curioso dessa versão, propagada pelo Planalto, é que Joesley também controla a JBS Foods USA, alvo de uma investigação nos EUA por suspeitas de práticas de mercado anticompetitivas —o que gera dúvidas sobre a real natureza dessa relação com Trump, um defensor fervoroso do agronegócio americano.
Agora, embora tenha conseguido realizar a tão almejada reunião —que durou cerca de três horas, incluindo o almoço conjunto, o que não é pouca coisa em se tratando do presidente da nação mais poderosa do planeta— Lula saiu pela porta dos fundos, como entrou, furtivamente: de mãos vazias. Mesmo a repercussão do encontro na imprensa americana foi limitada.
Não houve decisões concretas. Nada de acordo tarifário ou na área de segurança. Nem um memorando de entendimento nem uma nota conjunta. Tudo o que ele conseguiu foi um prazo de 30 dias para buscar uma "solução" para o que restou do tarifaço" anunciado no ano passado, além da promessa de novas reuniões com representantes dos dois países,........
