Do 'bullying' da toga às ações do governo, o arbítrio se institucionaliza

Do 'bullying' da toga às ações do governo, o arbítrio se institucionaliza

Até pouco tempo atrás, falar que o Brasil vive um regime de exceção sob a batuta do consórcio Lula-STF era um discurso restrito quase exclusivamente ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Quem enxergava nos abusos cometidos pelo Supremo, com apoio do presidente Lula, uma escalada sem volta ao autoritarismo, era chamado de "golpista", "fascista" e "extrema-direita". Mesmo quem não morria de amores por Bolsonaro e engrossava o coro escorado em princípios nobres, como o respeito à Constituição, aos códigos legais, aos direitos individuais e à liberdade de expressão, estava sujeito aos apupos da "turma do amor".

De repente, com a explosão dos escândalos do Banco Master e das fraudes do INSS e com as investigações apontando para um possível envolvimento de ministros do STF e de familiares do presidente Lula nas falcatruas, os ventos mudaram.

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Indignada com uma série de decisões da Corte, do governo e de parlamentares da base aliada destinadas à autoproteção e à preservação dos suspeitos, muita gente que "passou pano" para os abusos parece ter acordado e se dado conta do problema. Foi como se esse pessoal despertasse de um sono profundo causado pela ingestão de um "boa noite, Cinderela" — aquele coquetel tóxico ministrado por criminosos para dopar suas vítimas e saqueá-las, sem que elas ofereçam resistência.

A questão é que, como nos casos do "boa noite, Cinderela", o despertar pode ter ocorrido tarde demais. Como muitos analistas independentes já previam, a tolerância que legitimava os abusos, para limar Bolsonaro da vida política, acabou se tornando o "novo normal". Abriu espaço para um vale-tudo que institucionaliza a censura e o arbítrio, em meio à cobrança de gratidão eterna pelos serviços prestados em nome da alegada "defesa da democracia".

Como se isso não bastasse, pipocam por aí sinais de que as arbitrariedades continuam no mesmo ritmo dos últimos anos e voltarão a contaminar o processo eleitoral, como ocorreu em 2022. Na época, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes — impediu a associação de Lula a ditadores como Nicolás Maduro, da Venezuela, e Daniel Ortega, da Nicarágua, e até o uso de termos como "descondenado" por parte de seus opositores, na propaganda gratuita no rádio e na TV.

Detalhe: assim que tomou posse, Lula recebeu Maduro com tapete vermelho no Palácio do Planalto........

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