Com eleição no radar, a 'turma do amor' turbina produção de narrativas

Com eleição no radar, a 'turma do amor' turbina produção de narrativas

Com a aproximação das eleições, a alta na desaprovação do governo, o salto na rejeição do presidente Lula e a queda em sua popularidade, os laboratórios de produção de narrativas do governo e do PT estão trabalhando em escala 24 x 7.

O objetivo é "demonizar" a oposição e gerar versões dos acontecimentos dóceis a Lula, em paralelo com a adoção de um pacote eleitoreiro de benesses, para tentar virar o jogo em favor do presidente.

A estratégia inclui a terceirização de responsabilidades em relação a medidas impopulares, como a chamada "taxa das blusinhas" e os juros estratosféricos, que levaram o endividamento e a inadimplência a níveis recordes e turbinaram a dívida pública do país.

Juca KfouriO vento sopra a favor do São Paulo no Uruguai

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Daniela LimaFlávio busca vice no PP para atrair União Brasil

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Josias de SouzaAlarme da impopularidade toca na campanha de Lula

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SakamotoTrump amarelou de novo, mas a barbárie continua

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Há também um esforço visível para blindar Lula contra os escândalos do Banco Master e das fraudes bilionárias do INSS (leia abaixo em detalhes cinco narrativas propagadas recentemente por autoridades do governo e pela tropa de choque petista).

As ações seguem duas máximas que costumam marcar os movimentos de Lula e do PT quando se veem acuados. Uma é a de que "é preciso construir uma narrativa para destruir seu principal inimigo", como afirmou Lula ao ex-ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, ao recebê-lo no Palácio do Planalto em maio de 2023.

Outra é a de que "nós podemos fazer o diabo quando é hora de eleição", como disse a ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, em clima de campanha antecipada, ao entregar um conjunto habitacional na Paraíba.

O problema é que esta operação-hospital promovida pela "turma do amor" —que diz combater o "discurso de ódio" e que quer limitar a liberdade de expressão nas redes para conter a proliferação de "mentiras" contra Lula e o governo— virou um vale tudo, no qual a verdade quase sempre é deixada para trás.

Muitas vezes, as narrativas são meias-verdades, que contam apenas uma parte da história. Em outras, não passam de fake news, como a que foi propagada por Dilma na campanha de 2014, quando ela sugeriu que a proposta de autonomia do Banco Central defendida por Marina Silva, então candidata da Rede Sustentabilidade, levaria ao aumento de juros, ao desemprego e à redução da comida na mesa do povo. Nem o fato de Marina ser de esquerda, forjada das fileiras do PT, a poupou das "armas químicas" petistas.

O pior é que os autores das fake news e seus cúmplices não se tornam alvo de qualquer investigação ou punição. Nem de contestações pelas tais "agências de checagem", que se mostram tão diligentes quando as notícias falsas vêm do outro lado. Com frequência incômoda, ainda são reproduzidas sem qualquer filtro por grandes veículos de comunicação como se fossem verdades incontestáveis.

Confira a seguir algumas das narrativas (e fake news) propagadas pelo governo e pelo PT nas últimas semanas.

1. "A alta da taxa de juros não é causada pelo excesso de gastos"

A afirmação, feita pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que substituiu Fernando Haddad no........

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