Agência de rating rebaixa nota de crédito da Aegea, gigante do saneamento

Agência de rating rebaixa nota de crédito da Aegea, gigante do saneamento

A agência de rating S&P rebaixou a nota de crédito da Aegea Saneamento de BB- para B+ e colocou a empresa em observação negativa, após o adiamento da divulgação das demonstrações financeiras de 2025. O relatório foi divulgado na tarde de hoje. A companhia informou que revisa práticas contábeis e estimativas relacionadas ao portfólio de clientes, o que levará à reapresentação dos números de 2024.

"O rebaixamento dos ratings reflete as incertezas em torno de seus relatórios financeiros e o impacto potencial das reapresentações em suas métricas de crédito. A Aegea indicou que os ajustes são de natureza contábil e não devem afetar o fluxo de caixa, a liquidez ou o cumprimento dos covenants financeiros", afirma o relatório assinado pelos analistas Bruno Ferreira e Flávia Bedran.

E prossegue: "No entanto, a companhia já apresenta uma estrutura de grupo complexa, e dependemos de ajustes analíticos para consolidar o fluxo de caixa e a dívida entre as principais subsidiárias operacionais".O rebaixamento da nota de crédito indica que a empresa passou a ser vista como mais arriscada para quem empresta dinheiro. Na prática, isso encarece o custo da dívida, dificulta a captação de recursos e pode até acionar cláusulas que antecipam o vencimento de empréstimos. Já covenant é uma regra no contrato de empréstimo, que obriga a empresa a manter certos níveis financeiros (como um determinado patamar de dívida e lucro). Se não cumprir, o credor pode exigir pagamento imediato da dívida.

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O principal risco no curto prazo está exatamente no cumprimento de cláusulas contratuais, segundo a S&P. Caso a companhia não publique os resultados dentro do prazo de cura de sete dias úteis previsto em debêntures, diz o relatório, pode haver vencimento antecipado de cerca de R$ 1,1 bilhão em dívida.

A decisão ocorre meses após a Aegea já ter reapresentado demonstrações financeiras de 2022 a 2024, em setembro de 2025, após revisão no tratamento contábil de lucros não realizados em transações com partes relacionadas. Para a S&P, recorrentes revisões levantam dúvidas sobre a consistência dos relatórios financeiros e pesam negativamente na avaliação de governança, transparência e gestão de riscos.

Atualmente, a Aegea opera em 15 estados e atende 39 milhões de consumidores em 865 cidades. A companhia é controlada pela Equipav Saneamento S.A. (com participação de 52,1%), pelo Fundo Soberano de Singapura (GIC; 34,6%) e pela Itaúsa S.A. (13,3%).A coluna pediu um posicionamento para a Aegea sobre a decisão da agência de rating. Ele será publicado tão logo seja enviado.

Delação premiada e acordo de leniência

Em fevereiro o UOL revelou que, em 2020, os principais executivos da empresa firmaram acordos de colaboração premiada, que foi homologado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Nos depoimentos revelados pelo UOL, eles admitiram o pagamento sistemático de propinas a agentes públicos para viabilizar concessões de água e esgoto nos estados de São Paulo, Rio, Santa Catarina, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, detalhando valores, mecanismos de repasse e a participação de políticos. A delação permaneceu em segredo até a véspera da publicação da reportagem do UOL.

Procurada para comentar sobre o conteúdo das delações, a empresa divulgou um fato relevante na qual reconheceu ter firmado um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, no qual admitiu irregularidades ocorridas até 2018. Como parte do acordo, a Aegea se comprometeu a pagar R$ 439 milhões à União.Como consequência das revelações da reportagem, o ex-presidente da Aegea Hamilton Amadeo, que em depoimentos admitiu que autorizava pessoalmente os pagamentos ilegais a políticos, renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Copasa, estatal mineira que está em vias de privatização.

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