Juros altos: um diálogo com Samuel Pessôa

Juros altos: um diálogo com Samuel Pessôa

Samuel Pessôa é referência para mim e para todos os economistas brasileiros que se dedicam à análise da conjuntura. Particularmente, gosto muito da sua postura no debate público, pela capacidade de dialogar e de apresentar, didaticamente, suas posições, dando sempre o benefício da dúvida ao interlocutor e ampliando, assim, a qualidade das discussões.

Em sua última coluna na Folha de S.Paulo ("Conversa com um leitor sobre juros", de 24 de maio de 2026), ele apresenta argumentos para refutar a hipótese de que os juros seriam elevados, no Brasil, em razão de alguma combinação de pressões do mercado, interesses e chantagens. Ele apresenta três linhas de argumentação interessantes, que retomo brevemente a seguir para, então, adicionar outros pontos.

Ele diz que, na presença de um mecanismo de chantagem ou combinação entre poupadores para manter os juros em níveis mais elevados do que aqueles necessários para controlar a inflação, o desemprego e a recessão se fariam sentir. Em segundo lugar, os custos de coordenação entre milhares de investidores, brasileiros e estrangeiros, seriam impeditivos. Por fim, por que apenas o Tesouro brasileiro seria alvo dessa articulação, e não os dos demais países com características similares, incluindo a semelhança quanto ao grau de abertura da conta capital e financeira do balanço de pagamentos?

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