menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Guerra não pega o Brasil de calças curtas, mas cenário é preocupante

6 0
previous day

Guerra não pega o Brasil de calças curtas, mas cenário é preocupante

Os acontecimentos recentes, sobretudo os bloqueios à navegação pelo Estreito de Ormuz, já impactam fortemente os preços do petróleo. Antecipa-se, a saber, um movimento de redução relevante da oferta global de petróleo e, portanto, a elevação dos preços da commodity.

Os preços estão operando acima de US$ 100/barril e os desdobramentos são incertos. Desde logo, é preciso ter claro: não existe cenário otimista sob um quadro de escalada da guerra no Oriente Médio.

No Brasil, o aumento dos preços do petróleo afetará os preços dos combustíveis, com reajustes inescapáveis e, portanto, efeitos sobre a inflação já contratados. Choques de oferta negativos, vale dizer, não deveriam alterar, de imediato, a condução da política monetária.

Josias de SouzaPolícia Federal cerca Toffoli pelas bordas

Polícia Federal cerca Toffoli pelas bordas

Felipe SaltoGuerra não pega Brasil de calça curta, mas preocupa

Guerra não pega Brasil de calça curta, mas preocupa

Casagrande'Paulistinha'? Só perdedor desvaloriza título

'Paulistinha'? Só perdedor desvaloriza título

Milly LacombeNada no mundo se iguala a um Fla-Flu

Nada no mundo se iguala a um Fla-Flu

A perspectiva de redução dos juros, já em março, está mantida. A Selic opera em um patamar bastante restritivo; há gordura para queimar. De outro lado, a inflação está sob controle. Para ter claro, as expectativas de mercado, antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, circundavam os 3,7% ao ano.

O Brasil tem uma vantagem, do ponto de vista da balança comercial, que é o peso elevado e crescente das exportações de petróleo. No primeiro bimestre de 2026, as exportações de petróleo ficaram em US$ 7,8 bilhões, com participação de mais de 15% nas exportações totais e forte crescimento frente a 2025.

O saldo da balança comercial será beneficiado pela possível manutenção do movimento de escalada de preços do petróleo. Esse fato poderia colaborar para segurar o dólar, compensando, parcialmente, os efeitos mencionados sobre a inflação. Por outro lado, é preciso ter cautela com as análises de equilíbrio parcial, digamos.

O encarecimento do petróleo tende a fortalecer o dólar, como decorrência dos movimentos de aversão ao risco, estes que alimentam o conhecido flight to quality. Ademais, o custo de produção maior, no mundo todo, afetará os preços de outros produtos dos quais o Brasil é dependente.

É possível que alguns impactos positivos se materializem, no curto prazo, beneficiando nossas exportações e, portanto, as condições do balanço de pagamentos. Contudo, a conjunção de outros fatores e efeitos inflacionários e de aversão ao risco levam à conclusão óbvia de que não existe cenário otimista para um quadro de guerra.

O Brasil é exportador líquido de petróleo e essa posição nos fortalece, sem dúvida. Ganha-se com a alta de preços e a possibilidade de suprir uma parte da demanda mundial após o choque de oferta negativo ocasionado pela guerra. Por outro lado, os preços, domesticamente, ficarão mais pressionados. O dólar mais forte também não é boa notícia, dado seu possível impacto para a inflação interna.

Dois outros elementos ainda precisam ser considerados. O primeiro é o aumento das receitas públicas ocasionado pela permanência do preço do petróleo em nível elevado por período mais longo. Essas receitas adicionais podem salvar a lavoura em termos de cumprimento de metas fiscais neste ano.

A segunda questão é o quadro geral do balanço de pagamentos e o nível de reservas internacionais. A situação internacional mais adversa não pega o Brasil de calças curtas. Temos reservas elevadas, sob qualquer critério considerado, e o déficit em transações correntes está contido, com fluxo de investimentos suficientes para cobri-lo.

Uma primeira conclusão, neste momento, é que a guerra pode ter alguns efeitos positivos para o Brasil, no curto prazo, e os elementos negativos não devem alarmar, dadas as boas condições das contas externas. Apesar disso, os efeitos da guerra sobre a inflação e a pressão, no médio prazo, sobre os juros, podem reduzir as perspectivas de crescimento, já bastante baixas, do país.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Ricardo Ribeiro do Vale

Alguém avisa ele que o diesel já subiu 20%... 

Irã lança primeira onda de ataques após nomeação de novo líder supremo

Israel bombardeia Irã e Líbano; Teerã revida com ataques a Tel Aviv e Golfo

Muro gera batalha judicial entre edifício e condomínio de luxo em Salvador

Tom Cavalcante tira leite de pedra em novo game show da Record

PF cerca Toffoli pelas bordas


© UOL