Fim de ano é a época perfeita para se pensar o que deve continuar e o que deve ficar para trás |
Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais
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Com a maturidade, um divórcio, uma filha crescida e uma carreira, o fim do ano passou a me oferecer algo raro: a autorização social para pausar. Morando fora do país, a sensação é ainda mais nítida —nem preciso arranjar desculpas para ficar em casa, na minha.
Não me entendam mal: no geral, gosto da ceia, do encontro, da expectativa que antecede a noite. Mas é relativamente recente a experiência de não precisar passar horas na cozinha, ajudando a preparar tudo enquanto os homens ocupavam a sala com uma cerveja na mão.
Apesar de levar algum jeito, nunca fui afeita à obrigação de cozinhar. A divisão tácita do trabalho doméstico atribuída às mulheres, tão naturalizada na minha infância e na vida adulta, sempre me pareceu profundamente injusta, ainda que de forma silenciosa.
Lembro com clareza a felicidade indescritível que senti quando, pela primeira vez, passei um Natal descansando, tomando uma cerveja e assistindo a um filme na televisão.
Foi o primeiro ano em que minha filha passou a data com a família do pai e, pela primeira vez, pude simplesmente ficar de boa. Para muitas pessoas, o "fazer social" do Natal é um sacrifício —e eu entendo.........