Hollywood trava guerra contra gigantes da IA
A briga entre artistas e empresas de inteligência artificial está rolando desde a popularização do ChatGPT. Foi quando a classe artística percebeu que suas criações estavam sendo usadas para treinar modelos de IA sem autorização que, em última análise, poderiam competir com eles próprios.
O embate agora ganha novos contornos com a narrativa de que o assunto de direitos autorais também é uma questão de segurança nacional. Pelo menos é o argumento que algumas empresas enviaram para a Casa Branca na semana passada.
A OpenAI apresentou o que denominou "uma estratégia de direitos autorais que promove a liberdade de aprender". No entanto, o conceito de aprendizado ao qual eles se referem não é aquele no sentido amplo que tradicionalmente conhecemos, mas sim um recorte específico voltado para o aprendizado da IA.
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E o argumento vai ainda mais fundo ao dizer que essa é uma questão de segurança nacional em um cenário de competição global.
"O governo federal pode garantir aos americanos a liberdade de aprender com a IA e evitar ceder nossa liderança em inteligência artificial para a República Popular da China, preservando a capacidade dos modelos americanos de IA aprenderem com materiais protegidos por direitos autorais."
A posição que eles tentam vender ao governo americano é que quanto mais liberdade tiverem para usar conteúdos protegidos, mais rápido será o desenvolvimento de IAs melhores na competição acirrada com a China.
É claro que a resposta de Hollywood não demoraria.
Nesta semana, uma carta assinada por mais de 400 membros da indústria de entretenimento, incluindo nomes como Ben Stiller, Paul McCartney, Mark Ruffalo e Guilhermo del Toro, alertou o governo americano dos problemas que uma eventual mudança poderia trazer.
O documento lembra que isso não impactaria apenas os artistas, mas arquitetos, engenheiros, designers, cientistas e todos os profissionais que trabalham com computador e geram algum tipo de propriedade intelectual.
"Essas profissões são o centro como fazemos descobertas, aprendemos e compartilhamos conhecimento como sociedade e como nação".
A carta também ressalta que eles não estão pedindo a proibição do uso dos conteúdos protegidos, mas apenas o que já está previsto na lei: que negociem licenças apropriadas, assim como todas as outras........
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