Carta de Vorcaro revela 'elo perdido' entre escândalos do Master e do INSS |
Carta de Vorcaro revela 'elo perdido' entre escândalos do Master e do INSS
Uma carta do banqueiro Daniel Vorcaro, enviada ainda em 2019 ao hoje ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves, revela o "elo perdido" entre os escândalos do Master e do INSS, os dois maiores em investigação no Brasil hoje.
No documento, Vorcaro faz uma série de queixas contra exigências feitas pelo Banco Central para liberar sua instituição financeira —que à época usava o nome de Banco Máxima— a oferecer crédito consignado para associações de servidores e aposentados.
Os administradores e controladores da instituição tinham sido inabilitados em 2018 pelo presidente do Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador e de Termo de Compromisso do BC, Sidnei Corrêa Marques, e Vorcaro tentava realavancar os negócios.
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A carta integra o rol de documentos apreendidos pela Polícia Federal nos aparelhos do banqueiro e hoje sob posse de integrantes da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as fraudes bilionárias no INSS.
Toda a operação que avalizou o ingresso do Master nesse nicho de negócio ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Paulo Sergio agiu para reverter a inabilitação da instituição financeira dentro do Banco Central, chefiado à época por Roberto Campos Neto. Pouco tempo depois do resgate da habilitação, Vorcaro fez convênio com o INSS.
Hoje, o banqueiro está preso e Paulo Sergio proibido de ingressar no Banco Central, monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele é acusado de receber propina para atuar como "empregado e consultor" de Vorcaro.
Na ocasião em que escreveu a Paulo Sergio, Vorcaro reclamou da avaliação feita pelos técnicos do BC de que o modelo de operação de consignado definido pelo banco dele embutia alto risco e, por isso, necessitava de um aporte maior de capital por parte do empresário.
"Paulo, fizemos uma estruturação de mercado que não havia sido feita! Criamos um modelo novo! O crédito associativo previsto em lei, estava sendo feito mal e timidamente por associações, que usavam o capital proprio para dar a assistencia financeira [sic].", diz.
O empresário argumenta ter criado uma estrutura onde o Master entraria com a captação de recursos —o chamado "funding"— e a associação com os contatos de seus afiliados, o que, na visão dele, seria um "sucesso".
"Criamos uma estrutura em que o banco fornece o funding para a associação e associado final, usando seu codigo de desconto em folha. Deste modo a entidade tem potencial de atingir mais associados e de concentrar em prover outros beneficios aos associados que nao sejam os financeiros! E por esse trabalho cobramos um fee [uma taxa] de estruturação e funding, que foi inteiramente pago pela entidade! Com caixa que ela possuia! Nao ha qualquer motivos para ajustes nesse caso, nao podemos ser penalizados por ter feito um bom negocio [sic]"
Vorcaro ainda diz que, pela modelagem que desenhou, poderia alavancar o número de associados habilitados a celebrar o consignado, empréstimo com desconto direto em folha de pagamento.
"Do ponto de vista do cliente (entidade) foi um negócio excelente também. As duas entidades possuíam 60 mil associados, amealhados em 20 anos de existencia, que pagam atualmente 84 reais cada. Isso gera para as duas 60mm [milhões] ano de arrecadação. Com o funding do banco, espera-se dobrar numero de associados e essas entidades passam a arrecadar 120mm ano! Foi excelente negócio [sic]".
A coluna optou por manter a redação usada por Vorcaro no documento.
Segundo o UOL apurou, Paulo Sergio viabiliza a habilitação do Master (ou Máxima) depois de assumir a diretoria de Fiscalização. O aval está registrado em documento publicado no Diário Oficial, em outubro de 2019.
Em 2020, já sob a alcunha de Master, a instituição de Vorcaro firma convênio com o INSS para operar o crédito consignado. A licença também foi registrada em Diário Oficial com validade até setembro de 2025, mas todas as linhas foram canceladas após a implosão do banco, já em meio à descoberta de um mega esquema para lesar aposentados e pensionistas por meio de descontos em folha de pagamento jamais autorizados por eles.
Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que, entre as irregularidades, há a inscrição duplicada de aposentados e pensionistas e sistema que inviabiliza a checagem das assinaturas dos beneficiários.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro ainda não respondeu. A reportagem será atualizada assim que ela o fizer. A coluna não conseguiu localizar a defesa de Paulo Sergio Neves.
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Joao Batista Correia Lima Neto
Realmente o Brasil está refém de um sistema corrupto dominante! Há corruptos infiltrados no judiciário, no legislativo e no executivo, nas esferas federal, estadual e municipal, em órgãos e instituições públicas, Estatais, Cade, Agências Reguladoras, etc. e com ligações e interações com o crime organizado. Mensalão, Lava Jato, Correios, INSS, Master, Petrolão, e desdobramentos, são apenas a ponta do iceberg. O STF com a ajuda dessa rede criminosa destruiu a LavaJato, desconsiderando anos de investigações, com provas e delações robustas, descondenando e perdoando corruptos, em sua maioria, condenados em até 3 instâncias, por unanimidade e muitos confessos. Uma aberração. Um tapa na cara da população e do contribuinte que trabalha e rala muito para pagar os altos impostos desse pais. O País só muda se a população se mobilizar nas ruas, fizer uma faxina eleitoral e se corruptos poderosos forem severa e exemplarmente punidos!
Francisco Camilo de Campos
Pronto, está aí o que procuravam: INSS e BolsoMaster, tudo a ver.
Daniela Lima sempre com ótimas reportagens
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