Larguei meu casamento por ele, que não se separou; fui ingênua?

Escrita por Carol Tilkian, psicanalista, pesquisadora de relacionamentos e palestrante. Fundadora do podcast e do canal Amores Possíveis e professora da Casa do Saber

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Entendo a raiva, a frustração, a tristeza, a sensação de traição, desamparo e angústia que se instalam quando aquele que se apresentou como cúmplice e companheiro e, mais do que isso, como aquele que nos fez descobrir um novo amor possível e se colocou como parceiro na construção desse novo mundo, simplesmente abandona o barco e nos deixa à deriva.

É profundamente desestruturante perceber-se sozinho numa travessia que havia sido imaginada como compartilhada. Não apenas porque agora você precisa atravessar o caminho sem companhia, mas porque, com a ausência do outro, o próprio caminho muda. Quando o novo chão que parecia firme —mais do que firme, fértil— se revela uma espécie de miragem, a sensação de desamparo nos empurra a revisar toda a história duvidando de nós mesmos: não apenas sobre o que imaginávamos que este novo outro era e o quanto nos amava, mas também sobre o tamanho do desencantamento do casamento que foi deixado pra trás. Será que senti e decidi errado?

As dúvidas aqui emergem como boias de culpa as quais nos agarramos de maneira quase que masoquista, numa tentativa desesperada de não nos afogarmos nesse não saber e desamor que se apresentam. Vejo que a decisão do outro de priorizar a manutenção da família, a proximidade com os filhos e a tentativa de reconstrução do casamento frequentemente funciona como um........

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