Voçorocas engolem casas, expulsam 360 famílias e ameaçam cidade do Maranhão |
Voçorocas engolem casas, expulsam 360 famílias e ameaçam cidade do Maranhão
O município de Buriticupu (MA) está sofrendo com o avanço das voçorocas (imensas crateras causadas por erosão), que chegam cada vez mais à área urbana da cidade. As chuvas que atingem a região desde janeiro agravaram o problema e expulsaram mais moradores de suas casas.
Segundo a Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, 360 famílias já tiveram de sair de casa por conta do problema. Dezenas de outras estão em áreas próximas e convivem com o medo. Ao todo, 83 casas já foram engolidas ou destruídas devido ao avanço dos buracos.
O problema das voçorocas é antigo, mas se tornou mais grave com as chuvas no começo de 2023, quando o município decretou, pela primeira vez, estado de calamidade. Desde então, especialistas alertam para a necessidade de obras de drenagem e contenção, mas elas não só não começaram como seguem sem prazo para iniciar.
Mônica BergamoMendonça é comparado a Moro, mas com resistência
Mendonça é comparado a Moro, mas com resistência
Daniela LimaLula busca fazer frente a Tarcísio no interior de SP
Lula busca fazer frente a Tarcísio no interior de SP
SakamotoDelação de Vorcaro será boa se não poupar ninguém
Delação de Vorcaro será boa se não poupar ninguém
Josias de SouzaPoder supremo migra para a mesa de Mendonça
Poder supremo migra para a mesa de Mendonça
Segundo a prefeitura, existem hoje 33 voçorocas e processos erosivos. "Este ano, com as chuvas, o problema já avançou e vai continuar avançando para dentro da cidade. Sem obras, a cidade será engolida", admite Lucas Pereira, secretário de Infraestrutura, Obras e Urbanismo de Buriticupu.
Jheisiane Anjos, 29, morava em Buriticupu até fevereiro, quando precisou deixar a cidade para morar com a tia em Imperatriz. Ela conta que não conseguiu permanecer diante do avanço da erosão.
"Quando eu era criança, a erosão já existia, mas era muito longe. A gente nunca imaginava que ela ia chegar onde chegou. Eu tenho uma casa bem próxima mesmo, e tive que sair porque, quando cai uma barreira, estremece tudo. É horrível".
"Eu disse que não fui contemplada com o aluguel social. Tem gente que a casa já até caiu dentro do buraco, e nada de darem o aluguel social. Eu não tenho condição de pagar um aluguel".
Segundo o presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, Isaías Cardoso Aguiar, a situação dos moradores ao lado dos buracos é de "temor e angústia permanente".
Ele conta que a maior das voçorocas já "engoliu 50 casas". "Toda vez que chove, cai uma barreira, e quem mora próximo ouve um barulho como se fosse trovão".
Isaías mora a 50 metros de uma dessas voçorocas e diz que conseguiram estabilizá-la com o plantio de bambu. "Essa espécie cresce rápido, enraíza e faz uma contenção segura para a encosta. Mas essa solução não se encaixa a todas", diz.
A Prefeitura de Buriticupu afirma que aguarda recursos federais de duas pastas para dar início às obras que devem resolver o problema.
Em contato com o UOL, o MIDR afirma que, desde março de 2023, o município obteve três reconhecimentos federais de estado de calamidade pública.
O MIDR informou que estão empenhados R$ 32,9 milhões para "estudo de projetos de obra de drenagem pluvial". Esse valor, diz a prefeitura, deve servir para obras nas quatro maiores voçorocas.
Além disso, outra voçoroca já tem plano de trabalho para reconstrução da rua Santo Cristo, com obras de drenagem profunda, dissipador de energia, suavização de talude e revegetação. O valor aprovado, de R$ 15,8 milhões, "está em análise pelos técnicos da Defesa Civil Nacional".
Também foram liberados R$ 8,1 milhões para a reconstrução de 59 unidades habitacionais.
Já no Ministério das Cidades, o município de Buriticupu teve dois projetos selecionados para prevenção de desastres: um de drenagem, no valor de R$ 73 milhões, e outro de contenção de encostas, no valor de R$ 16,8 milhões, totalizando R$ 89,8 milhões em investimentos. Essas obras, diz a prefeitura, seriam para resolver o problema das outras 28 voçorocas.
"Os contratos já foram assinados, mas seguem com cláusula suspensiva, aguardando a complementação da documentação por parte do município", informou a pasta ao UOL.
Segundo o secretário Lucas Pereira, os projetos mostraram que as obras serão mais caras do que o previsto.
Ele explica que a promessa de recursos de 2023 do MIDR teve apenas R$ 500 mil liberados para estudo e projetos. "Quando a gente foi atrás de empresas, cobraram R$ 8 milhões".
Após conseguir os recursos, a prefeitura contratou a empresa responsável pelos projetos. "Começamos a entregar em dezembro e terminamos, na semana passada, de cadastrar no sistema", diz Lucas.
Sobre a documentação citada pelo Ministério das Cidades, Lucas diz que os documentos já foram enviados pela prefeitura e devem estar em fase final de análise.
"Acredito que na próxima semana já estará pronto para licitar", afirma.
Preços maiores que o imaginado
No caso dos projetos no MIDR, a prefeitura cita que os valores precisarão ser ajustados.
No caso das obras na rua Santo Cristo, em vez de R$ 15,8 milhões, o projeto prevê investimento de R$ 27 milhões. "Estamos aguardando a análise para ver se mudam a meta", diz.
No caso das quatro voçorocas, para as quais o MIDR empenhou R$ 32,9 milhões, os projetos indicaram que as obras devem custar R$ 131 milhões. Como os projetos foram recém-inseridos no sistema, a análise ainda será iniciada.
O secretário explica ainda que, a cada início de ano, com o período chuvoso, as voçorocas avançam.
As voçorocas não avançam com água de esgoto a céu aberto, só com a da chuva. Todos os pontos erosivos coincidem com o final de rua, onde se cria um processo erosivo. Se a gente levar a água para uma área segura e fizer o despejo correto, a voçoroca já é estabilizada.Lucas Pereira, secretário de Infraestrutura, Obras e Urbanismo de Buriticupu
"Já as obras de contenção vêm para fazer um corte no talude comprometido, fazendo com que ele seja compactado e recupere assim a área degradada", completa.
MP aciona Justiça, que ordena obras
Na última quarta-feira (18), o juiz Rafael de Lima Sampaio Rosa, da 1ª Vara de Buriticupu, determinou que o município cumprisse, em 48 horas, sentença de fevereiro de 2025 que determinou a adoção de providências nas áreas afetadas pelas voçorocas.
A decisão citada determinou medidas urgentes para viabilizar o isolamento das áreas e o cadastro das famílias no aluguel social. "O município, no entanto, se utilizando de meios protelatórios, ainda não comprovou o cumprimento integral das medidas determinadas pela justiça cujos prazos já foram vencidos", diz o MP (Ministério Público), autor da ação.
Na decisão foi determinada a intimação pessoal do prefeito João Carlos Teixeira da Silva (PP) para que comprove o cumprimento integral das obrigações, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
A coluna procurou a assessoria do prefeito para comentar a decisão, mas não obteve retorno.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Alcaraz brilha na 'hora certa', e Fonseca cai para nº1 do mundo em Miami
Jacaré e hotel de luxo: viagem de carro pelo MS tem experiências exclusivas
Fonseca diz que Alcaraz tem mais 'arsenal' que Sinner após derrota em Miami
Sabrina Carpenter fecha Lolla com 'sonho pop' em dia marcado por peso e rap
Alcaraz manda recado relevante com vitória imponente sobre Fonseca em Miami