Jair Bolsonaro não quer apenas se firmar como autoproclamado líder da direita no país. Os primeiros movimentos do presidente e seus seguidores após perder a eleição mostram que eles vão trabalhar para impor a esse campo a marca do personalismo e manter o método antidemocrático como peça central de ação política.

Em seu breve discurso de derrota, Bolsonaro disse representar uma doutrina que defende "a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela". Mas seu principal recado foi um estímulo para que seus apoiadores contestem o resultado da eleição.

Milhares de bolsonaristas captaram a mensagem, mantiveram interdições em rodovias e marcharam para os quartéis para pedir um golpe militar. Com estradas paradas, mulheres grávidas e pacientes com câncer ficaram sem atendimento médico. No interior de São Paulo, um motorista furou um bloqueio e atropelou um grupo de pessoas.

Aqueles que pretendem continuar com o presidente "para o que der e vier" aceitaram comprar o pacote completo. A rejeição ao PT e a concordância com itens da pauta conservadora não permitem que eles se dissociem das raízes autoritárias do bolsonarismo.

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Boa parte dos políticos vendidos como potenciais líderes de uma direita pós-bolsonarista continua agarrada ao presidente. Nenhum governador eleito desse campo pareceu disposto a romper com Bolsonaro ou condenar de maneira firme o golpismo instigado por ele.

A intenção do presidente é justamente sufocar uma direita democrática, tornar esse campo dependente de sua figura, empurrar a disputa política para longe do centro e tirar do eleitor alternativas competitivas para derrotar a esquerda. Se depender da covardia de alguns personagens, ele vai conseguir o que quer.

A janela para atores de direita que se consideram democratas não é de quatro anos. A omissão de autoridades e a adesão ao golpismo já começaram a moldar esse campo.

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Plano de Bolsonaro é fechar última janela da direita democrática

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03.11.2022

Jair Bolsonaro não quer apenas se firmar como autoproclamado líder da direita no país. Os primeiros movimentos do presidente e seus seguidores após perder a eleição mostram que eles vão trabalhar para impor a esse campo a marca do personalismo e manter o método antidemocrático como peça central de ação política.

Em seu breve discurso de derrota, Bolsonaro disse representar uma doutrina que defende "a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela". Mas seu principal recado foi um estímulo para que seus apoiadores contestem o resultado da eleição.

Milhares de bolsonaristas captaram a mensagem, mantiveram interdições em rodovias e marcharam para os quartéis para pedir um golpe militar. Com estradas paradas,........

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