'Morte e Vida Severina' ganha montagem com ferramentas cedidas pelo MST |
O teatro e seus fazedores, por Andre Marcondes
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Atores em cena do espetáculo de João Cabral de Melo Neto - Divulgação
A montagem de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), pela Companhia Ensaio Aberto, encontra seu ponto de inflexão mais contundente na escolha do ator Gilberto Miranda para o papel protagonista em 2025. Aos 72 anos, Miranda — que interpretou o mesmo personagem aos 46 em 2000 — carrega no corpo o peso real do envelhecimento, operando um "rejuvenescimento às avessas". Seu Severino não é mais a vida ceifada antes dos trinta, mas a materialização da sobrevivência em condições de miséria perpétua, transformando a agonia do retirante em uma luta prolongada e invisibilizada contra o etarismo e a exploração contínua.
O elenco, de cerca de 25 atores, sob direção de Luiz Fernando Lobo, funciona como um coro que é uma parede de resistência. Seu trabalho de corpo concreto recusa a ornamentação do sofrimento. A encenação constrói um "mural vivo" que evoca Cândido Portinari, buscando uma universalidade na aridez e na dignidade ferida. A iluminação de Cesar de Ramires, com seu claro-escuro, acentua a geometria trágica das cenas, enquanto a cenografia de J.C. Serroni cria um horizonte infinito. Nela, ferramentas........