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Vai, Brasa: camisa da seleção mira no futebol raiz e acerta no sapatênis

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25.03.2026

Vai, Brasa: camisa da seleção mira no futebol raiz e acerta no sapatênis

Gosto, como ensina a sabedoria popular, cada um tem o seu. O que é belo para mim pode ser horrível para você. Não quero, portanto, entrar no mérito se as novas camisas da seleção brasileira são feias ou bonitas. O que é impossível deixar passar — e a internet não deixou — é o tal do Brasa.

Em um vídeo para o colega Danilo Lavieri, aqui do UOL, a designer da Nike, Rachel Denti, aponta os chamados "easter eggs", pequenos detalhes cheios de significado, espalhados pelo uniforme. Rachel é brasileira, mas parece estar há bastante tempo fora do país e, como muita gente envolvida com multinacionais, usa alguns termos em inglês no contexto do trabalho.

Este texto, que fique claro, não é uma crítica à profissional. Ela apenas foi escolhida para verbalizar as decisões tomadas por dezenas de pessoas e validadas pelo alto escalão de duas entidades enormes, entrelaçadas por um contrato bilionário. Em algo deste tamanho (Nike, CBF, seleção brasileira, ano de Copa do Mundo), os processos são intrincadíssimos.

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A crítica aqui se direciona a um conceito desconectado da realidade.

Miraram no futebol raiz e acertaram no sapatênis.

No vídeo, Rachel explica por que a camisa era bem Brasil com S, e não com Z. Ora, por que diabos seria com Z? Ela conta também que optaram pelo "Canary", o amarelo canarinho. São diversos os detalhes, mas o principal como você talvez já saiba é o tal Brasa. Supostamente, uma homenagem à maneira como nos referimos à seleção, nas ruas e nos estádios. Só que não. Apenas, não. "Vai, Brasa" tem toda a pinta de algo concebido por quem nunca pisou em uma arquibancada.

E aí entra outra contradição difícil de ignorar: uma campanha publicitária ("Alegria que apavora") inspirada no terrão, que explora a estética do Brasil periférico, e uma camisa que chega às lojas custando 450 reais — a versão de jogador sai por 750 pilas.

Fico imaginando por quantas mesas importantes passou a ideia de colocar Brasa estampado no uniforme, sem que ninguém grandão avisasse: vai dar ruim. "Deve ser assim que falam os comuns. Let's go, guys!" Não deixa de ser curioso pensar que a camisa vermelha acabou vetada, mas Brasa, não.

Em um momento no qual a CBF tenta desesperadamente trazer o público de volta à esfera afetiva da seleção, sua parceira produz mais uma evidência de que o topo da pirâmide habita um universo paralelo muito, muito distante de quem sustenta o futebol no dia a dia — e nunca na vida meteu um "Vai, Brasa".

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