Mais do que o Brasil, Itália vive crise existencial no futebol
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Se não passar da Bósnia-Herzegovina hoje, a Itália ficará fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva. A última participação foi justamente no Brasil, quando caiu na fase de grupos. Em 2010, acabou eliminada na mesma fase depois de perder para a Eslováquia, terminando a competição sem nenhuma vitória.
A última vez em que avançou às fases eliminatórias foi em 2006, quando sagrou-se tetracampeã. Neste meio-tempo, arrancou uma Eurocopa da Inglaterra, em 2020, mas foi só. Estamos falando de jovens adultos que não têm memória de ver a sua seleção disputar o Mundial. Pesado.
Ainda assim, no meio de mais uma repescagem, alguns jogadores italianos foram flagrados celebrando a classificação da Bósnia, felizes por evitar o País de Gales.
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Estrela do adversário de hoje e profundo conhecedor do calcio, Edin Dzeko deu uma entrevista brilhante, que reflete bem o momento do outro lado: "Nenhum problema com o vídeo da comemoração de Dimarco e os outros, todos têm preferências. Eu também não queria jogar com a Itália. Por outro lado, não sei por que não queriam jogar em Gales. Se uma seleção quatro vezes campeã tem medo de jogar em Gales, algo não funciona. Eles têm muito em jogo após duas Copas fora, quer dizer que têm medo. Amo a Itália, passei 9 anos lindos lá. Eles não vão nos subestimar. Não têm mais um Totti ou Del Piero, têm qualidade, mas os de outros tempos eram diferentes".
Se agora tememos a Croácia (que chegou às semifinais dos dois últimos Mundiais), sem nunca termos ficado de fora de uma edição da Copa, a Itália precisa vencer a Bósnia para não completar 16 anos longe do maior palco do futebol.
Já a Bósnia tenta sua segunda classificação desde 1992, quando se tornou uma nação independente. Sua primeira coincide com a última da Itália: 2014, no Brasil.
E, como a história sempre se reinventa, a chance de voltar à Copa passa por uma seleção importante neste processo de reconstrução de um país devastado por um conflito cruel e terrivelmente recente.
Sabendo da hostilidade que espera a Azzurra no pequeno estádio em Zenica, o veterano Dzeko declarou: "Na hora do hino italiano, espero que todos aplaudam. Nem todos sabem, mas foram os primeiros a vir aqui jogar um amistoso depois da guerra, em 1996".
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