Cartolouco é investigado por violência doméstica; influencer depõe em SP
Cartolouco é investigado por violência doméstica; influencer depõe em SP
O jornalista esportivo Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, está sendo investigado por lesão corporal qualificada, violência psicológica contra a mulher, injúria e dano, crimes tipificados pela Lei Maria da Penha e pelo Código Penal. A coluna teve acesso aos autos do inquérito, formalizado em março no 11º Distrito Policial de Santo Amaro (São Paulo-SP).
A intimação oficial, convocando o influenciador digital para prestar depoimento, foi expedida pela autoridade policial responsável em 18 de março e cumprida hoje (9), data limite para seu comparecimento. Strabko falou com a polícia nesta manhã e início de tarde, acompanhado de seu advogado.
A denunciante, uma mulher de 32 anos cuja identidade será mantida em sigilo, namorou com Cartolouco por dez meses. Segundo os autos e a queixa-crime apresentada pela defesa da vítima, o relacionamento foi marcado por uma dinâmica progressiva de violência psicológica, moral, patrimonial e física.
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A reportagem contatou Lucas Strabko: "Obviamente, nego qualquer agressão física, violência psicológica, injúria e dano contra a mesma". Se houver manifestação adicional da defesa do jornalista, o texto será atualizado.
Em 2020, quando o jornalista participava do reality show A Fazenda, o UOL publicou prints da conversa com um amigo em que ele admitia ter agredido outra companheira. A reportagem de Adriano Wilkson e Júlia Flores revelava também que duas ex-namoradas afirmavam ter mantido com Strabko relacionamentos abusivos, com traições, ofensas, violência física e moral. Cartolouco continuou sua carreira como influenciador, somando hoje mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e 1,5 milhão de inscritos no YouTube.
As provas anexadas aos autos do caso atual incluem registros de mensagens, gravações, fotografias, imagens de câmeras de segurança, laudos médicos e psicológicos e depoimentos de uma testemunha, que presenciou uma das agressões.
Além do comportamento controlador e das ameaças, a denúncia descreve ofensas verbais reiteradas com palavras de cunho misógino, como "vagabunda", "puta", "por isso que eu te traio" e "você é igual a todas as mulheres que eu já comi".
De acordo com laudo médico anexado ao inquérito policial, a vítima apresentou agravamento do quadro psicológico durante o relacionamento, com evolução de sintomas ansiosos e depressivos, associados a agressões recorrentes.
O primeiro episódio de violência física, documentado no inquérito, teria acontecido em dezembro de 2025. Em viagem a Cusco, no Peru, a vítima afirma ter sido agredida em duas noites consecutivas, com chutes, empurrões e cusparadas no quarto de hotel. Durante as agressões, Strabko teria destruído também um par de óculos, o aparelho celular e um escapulário, arrancado do pescoço da namorada. Vestígios materiais foram preservados e apresentados às autoridades. Ao agredi-la, ele teria feito referência espontânea a outra ex-companheira, que obteve medida protetiva de urgência contra Strabko em contexto de violência doméstica. A reportagem teve acesso à medida protetiva anterior, expedida em 2023.
De volta a São Paulo, em janeiro de 2026, Cartolouco teria arremessado um copo com bebida no rosto da vítima, seguido de um tapa com o cigarro aceso, causando queimadura na região do ouvido. O episódio foi presenciado por uma testemunha, formalmente identificada e ouvida no inquérito.
Ainda de acordo com os autos, na madrugada de 31 de janeiro, após as agressões, o investigado se dirigiu sozinho ao condomínio da vítima, tentando entrar no seu apartamento. O acesso foi impedido pela equipe de segurança e a tentativa, flagrada pelas câmeras do prédio.
Responsável pela defesa da vítima, a advogada Juliana Santos Garcia declarou à reportagem: "O caso possui lastro documental robusto, com boletim de ocorrência, oitivas formalizadas, inquérito instaurado e queixa-crime oferecida. A intimação e o cumprimento do depoimento pelo investigado demonstram que o sistema de justiça está atuando. Não se trata de uma briga de casal ou de uma acusação isolada: é uma investigação criminal formalizada, com elementos concretos que apontam para um padrão de violência que precisa ser interrompido. Nossa cliente confia na Justiça e permanecerá resguardada, sem exposição".
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