menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O debate político morreu, e ninguém chora por ele

5 0
01.06.2026

O debate político morreu, e ninguém chora por ele

Duas decisões dos últimos dias vão alterar a vida de milhões de brasileiros que nunca vão ler uma linha sobre elas.

A primeira saiu da Câmara. Os deputados aprovaram, em dois turnos, a emenda que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante o fim da escala 6x1. O texto agora segue para o Senado. A segunda veio do governo dos Estados Unidos, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. A medida altera a forma como bancos, polícias e o próprio Estado brasileiro terão de tratar as duas maiores organizações criminosas do país.

Cada uma dessas medidas, extremamente complexas e impactantes, pede discussões de gente adulta. Quando a política racional, ponderada e prudente é mais necessária, entra em campo a gritaria, a indignação dissimulada, o embuste, a bravata, a desonestidade intelectual mais chula e vulgar.

Pedro RossiAgenda econômica reabilita esquerda na Colômbia

Agenda econômica reabilita esquerda na Colômbia

Josias de SouzaSTJ faz contraponto ético ao Gilmarpalooza

STJ faz contraponto ético ao Gilmarpalooza

Carla AraújoKassab rebate críticas à chapa pura do PSD

Kassab rebate críticas à chapa pura do PSD

CasagrandeColocaria Paquetá e Danilo no meio e Rayan na ponta

Colocaria Paquetá e Danilo no meio e Rayan na ponta

Lula chamou a aprovação da jornada de "conquista histórica e civilizatória". O líder do governo na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), comparou quem votasse contra o fim da 6x1 a quem defendeu a escravidão. Sobre o PCC e o CV, o senador Sergio Moro (PL-PR) disse: "Alguém aqui defende terrorista? O Lula defende." Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descreveu Lula "de joelhos, rastejando" para pedir ao governo americano que não classificasse as facções como terroristas.

Cada lado correu para usar o termo mais pesado do catálogo. Palavras que servem para encerrar a conversa, não para iniciar o debate de um país que nunca precisou tanto de política.

Não interessa aqui qual lado nessas discussões está correto, se é que algum está. Alguns argumentos podem estar mais próximos da verdade do que outros em cada caso, e é justamente isso que define um argumento: ele deve se sujeitar ao escrutínio público racional, prudente e........

© UOL