O debate político morreu, e ninguém chora por ele
O debate político morreu, e ninguém chora por ele
Duas decisões dos últimos dias vão alterar a vida de milhões de brasileiros que nunca vão ler uma linha sobre elas.
A primeira saiu da Câmara. Os deputados aprovaram, em dois turnos, a emenda que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante o fim da escala 6x1. O texto agora segue para o Senado. A segunda veio do governo dos Estados Unidos, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. A medida altera a forma como bancos, polícias e o próprio Estado brasileiro terão de tratar as duas maiores organizações criminosas do país.
Cada uma dessas medidas, extremamente complexas e impactantes, pede discussões de gente adulta. Quando a política racional, ponderada e prudente é mais necessária, entra em campo a gritaria, a indignação dissimulada, o embuste, a bravata, a desonestidade intelectual mais chula e vulgar.
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Lula chamou a aprovação da jornada de "conquista histórica e civilizatória". O líder do governo na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), comparou quem votasse contra o fim da 6x1 a quem defendeu a escravidão. Sobre o PCC e o CV, o senador Sergio Moro (PL-PR) disse: "Alguém aqui defende terrorista? O Lula defende." Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descreveu Lula "de joelhos, rastejando" para pedir ao governo americano que não classificasse as facções como terroristas.
Cada lado correu para usar o termo mais pesado do catálogo. Palavras que servem para encerrar a conversa, não para iniciar o debate de um país que nunca precisou tanto de política.
Não interessa aqui qual lado nessas discussões está correto, se é que algum está. Alguns argumentos podem estar mais próximos da verdade do que outros em cada caso, e é justamente isso que define um argumento: ele deve se sujeitar ao escrutínio público racional, prudente e........
